EUA endurecem regras de isenção de entrevistas para vistos: o que muda para brasileiros
A partir de 2 de setembro de 2025, o Departamento de Estado dos Estados Unidos vai restringir a isenção de entrevistas presenciais para vistos não imigrantes, revertendo uma medida que vinha sendo aplicada desde a pandemia de Covid-19. A decisão atinge categorias de vistos amplamente usadas por estudantes, profissionais e intercambistas brasileiros, aumentando custos e tempo de espera nos consulados.
O que muda
Até agora, muitas renovações podiam ser feitas sem entrevista, com entrega de documentos diretamente nos consulados ou via “Dropbox”. Essa facilidade será reduzida. De acordo com a normativa publicada em 25 de julho de 2025, apenas vistos diplomáticos, oficiais e algumas renovações de B-1/B-2 continuarão elegíveis à dispensa da entrevista.
Segundo o Departamento de Estado, a medida tem o objetivo de “restabelecer protocolos de verificação de segurança” e voltar ao padrão pré-pandemia, quando a maioria dos solicitantes comparecia pessoalmente às representações diplomáticas.
Quem perde a isenção
As categorias mais atingidas pela mudança são:
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Estudantes e intercambistas: F-1, F-2, J-1, J-2, M-1.
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Profissionais e trabalhadores temporários: H-1B, L-1, O-1, TN.
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Investidores e tratados comerciais: E-1, E-2.
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Menores de 14 anos e maiores de 79 anos, que antes eram isentos, também passam a precisar de entrevista.
Ou seja: praticamente todas as solicitações de vistos não imigrantes — novos ou renovações — passarão a exigir a entrevista obrigatória.
Quem mantém a dispensa
Apenas algumas categorias continuam podendo solicitar o benefício:
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Vistos diplomáticos e oficiais (A-1, A-2, C-3, G-1 a G-4, NATO-1 a NATO-6, TECRO E-1).
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Renovantes de vistos de turismo e negócios (B-1/B-2) ou Border Crossing Card (para mexicanos), desde que:
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o visto anterior tenha expirado há menos de 12 meses;
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a emissão tenha ocorrido após os 18 anos;
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não tenha havido recusa anterior.
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Ainda assim, os consulados alertam que mesmo nesses casos a entrevista pode ser exigida, conforme avaliação do oficial consular.
Impacto direto para brasileiros
Para o Brasil, o impacto é significativo:
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Estudantes que renovariam o visto F-1 antes de retornar ao ano letivo agora terão de agendar e comparecer a entrevistas, o que pode gerar atrasos.
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Profissionais transferidos por multinacionais (L-1) ou contratados em regime H-1B enfrentarão maior burocracia, além de possíveis atrasos na entrada nos EUA.
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Famílias que planejavam viagens de férias terão que se organizar para renovações presenciais de vistos infantis ou de idosos.
O tempo de espera já é longo em alguns consulados, e deve aumentar. Em São Paulo, os prazos médios para entrevista de turismo chegam a 100 dias, enquanto em Brasília variam de 60 a 80 dias.\ Declaração oficial
Em comunicado, o Departamento de Estado afirmou:
“A decisão de restringir as isenções de entrevistas reflete a necessidade de reforçar a segurança do sistema de vistos e de retomar procedimentos anteriores à pandemia. Reconhecemos que a medida pode aumentar a demanda nos consulados, mas trabalharemos para mitigar os impactos por meio de contratações adicionais e ajustes nos agendamentos.”
📊 Comparativo prático: antes e depois
| Categoria de visto | Até 1º de setembro/25 | A partir de 2 de setembro/25 |
|---|---|---|
| Estudantes (F, J, M) | Isenção em renovações | Entrevista obrigatória |
| Trabalhadores (H, L, O, TN) | Possível isenção | Entrevista obrigatória |
| Crianças < 14 anos / Idosos > 79 | Isentos | Entrevista obrigatória |
| Diplomáticos e oficiais | Isentos | Continuam isentos |
| Turismo/Negócios (B-1/B-2) | Renovação até 48 meses após vencimento | Renovação até 12 meses após vencimento, sob avaliação consular |
🗣 Repercussão
Especialistas em imigração afirmam que a medida pode desestimular intercâmbios de curto prazo e onerar empresas que dependem de mão de obra especializada. Universidades brasileiras que mantêm parcerias acadêmicas com instituições norte-americanas já discutem formas de orientar seus alunos a antecipar renovações.
Para o setor de turismo, a exigência deve impactar principalmente famílias com crianças e idosos, que antes contavam com a dispensa.
A mudança representa um retorno à rigidez do sistema consular norte-americano. Se por um lado fortalece a triagem de segurança, por outro eleva custos e amplia a burocracia para brasileiros que viajam a estudo, trabalho ou lazer.
Orientação prática: quem pretende viajar nos próximos meses deve antecipar o pedido de renovação e preparar-se para comparecer à entrevista, mesmo que antes estivesse isento.