Amazônia perdeu 5 mil km² de floresta em 2025; Tocantins avança no combate ao desmatamento mesmo Sudeste em chamas
O Brasil fechou 2025 com um cenário ambiental de contrastes. Dados divulgados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) apontam que a Amazônia Legal perdeu 5 mil km² de floresta ao longo do ano, índice que acende alerta sobre a continuidade da devastação em regiões críticas, como o Pará, Mato Grosso e Rondônia. Ao mesmo tempo, o relatório registra avanços em estados que reforçaram políticas de preservação, como o Tocantins, que conseguiu reduzir a derrubada ilegal e conter o avanço da fronteira agropecuária em áreas de proteção.
O relatório do Inpe revela que, embora o ritmo do desmatamento tenha desacelerado em comparação ao pico registrado em 2022, os números permanecem elevados e distantes das metas de redução assumidas pelo Brasil em acordos internacionais de clima. Em paralelo, as imagens de satélite também mostraram aumento expressivo das queimadas no Sudeste do país, especialmente em Minas Gerais e São Paulo, atingindo áreas de cerrado e mata atlântica. A combinação de estiagem prolongada e pressão econômica sobre o uso da terra agravou a situação.
No Tocantins, a situação caminhou em sentido inverso. Dados da Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semarh) indicam que o estado reduziu a taxa de desmatamento ilegal em mais de 18% no comparativo anual. A implementação de sistemas de monitoramento em tempo real, o fortalecimento das ações de fiscalização e a integração com programas de incentivo à produção sustentável foram apontados como fatores decisivos. Além disso, o estado passou a investir em linhas de crédito voltadas para a recuperação de áreas degradadas e em parcerias com comunidades rurais para o manejo sustentável do cerrado.
Ambientalistas ressaltam que a experiência do Tocantins mostra como políticas públicas regionais podem fazer diferença mesmo diante de um contexto nacional desafiador. Enquanto a Amazônia segue sob forte pressão de grilagem, garimpo ilegal e expansão descontrolada da pecuária, iniciativas estaduais demonstram que é possível compatibilizar agronegócio, conservação ambiental e desenvolvimento socioeconômico.
O contraste entre destruição e preservação evidencia que o combate ao desmatamento no Brasil exige ação coordenada entre União, estados e municípios, além de pressão constante da sociedade civil e do mercado internacional. Embora os 5 mil km² perdidos em 2025 representem um alerta sobre a fragilidade da floresta amazônica, os avanços registrados no Tocantins reforçam que ações eficazes e sustentadas podem reverter tendências de devastação.