Morre Mino Carta, fundador da CartaCapital , aos 91 anos

Morre Mino Carta, fundador da   CartaCapital  , aos 91 anos
Fernanda CappellessoPor Fernanda Cappellesso 2 de setembro de 2025 8

Jornalista ítalo-brasileiro foi responsável por criar alguns dos mais importantes veículos de imprensa do país e se tornou referência em crítica política e defesa da democracia

O jornalismo brasileiro perdeu uma de suas vozes mais marcantes. Morreu nesta terça-feira, 2 de setembro de 2025, aos 91 anos, o jornalista ítalo-brasileiro Mino Carta, fundador da CartaCapital. Internado no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, ele enfrentava problemas de saúde há mais de um ano.

Mais do que um repórter ou editor, Mino construiu uma obra que atravessa gerações. Sua marca esteve em projetos que moldaram o debate público e definiram estilos de jornalismo no Brasil: da inovação editorial em Quatro Rodas e Jornal da Tarde, ao jornalismo investigativo e crítico de Veja, IstoÉ e, sobretudo, CartaCapital, publicação que dirigiu até os últimos anos de vida.

O legado

Ao longo de seis décadas, Mino Carta defendeu a liberdade de imprensa como princípio inegociável, mesmo em períodos de censura e repressão política. Sua visão crítica se traduziu em capas, editoriais e reportagens que desafiaram governos, partidos e interesses econômicos.

Com estilo firme e pouco afeito a concessões, ele ajudou a formar gerações de jornalistas e leitores que viam no jornalismo não apenas um ofício, mas um espaço de responsabilidade social e ética democrática.

Na literatura, também deixou marcas, mas foi no jornalismo que consolidou sua herança: um olhar desconfiado do poder, uma aposta na independência editorial e a convicção de que a imprensa deveria servir ao público, e não aos poderosos.

Repercussão

Autoridades e colegas de profissão lamentaram a morte. O vice-presidente Geraldo Alckmin destacou que o país perdeu “um dos maiores jornalistas de sua história, cuja dedicação à democracia inspirou gerações”. Redações de todo o país ressaltaram sua coragem editorial e a importância de sua voz nos grandes debates nacionais.

Última despedida

O velório de Mino Carta acontece nesta terça-feira, a partir das 12h, no Cemitério São Paulo, em Pinheiros. O sepultamento será no mesmo local, em cerimônia restrita a familiares e amigos próximos.

🕯️ Mino Carta deixa como legado não apenas revistas e jornais, mas a ideia de que o jornalismo é um instrumento de transformação social e vigilância permanente da democracia.

 

Linha do tempo do legado de Mino Carta

1960 – Quatro Rodas

Criou a revista voltada ao mercado automobilístico, inovando no jornalismo especializado no Brasil e aproximando a imprensa de temas de consumo e mobilidade.

1966 – Jornal da Tarde

Participou da fundação do JT, que se destacou pelo projeto gráfico arrojado e linguagem moderna, marcando uma geração de jornalistas e leitores.

1968 – Veja

Foi um dos criadores da revista, concebida como semanário de informação geral. Nos primeiros anos, a publicação se tornou referência em reportagem e jornalismo investigativo.

1976 – IstoÉ

Fundou a revista como alternativa editorial no mercado brasileiro, apostando em análises profundas e em novas narrativas jornalísticas.

1994 – CartaCapital

Principal projeto de sua carreira, a revista nasceu com viés crítico, compromisso com a democracia e independência editorial. Tornou-se símbolo de resistência em tempos de polarização e censura velada.

2000 em diante – Literatura

Publicou romances como Castelo de Âmbar (2000), A Sombra do Silêncio (2003) e A Vida de Mat (2016), mostrando versatilidade além do jornalismo.

🕯️ A trajetória de Mino Carta é também a história do jornalismo moderno no Brasil. Cada veículo fundado por ele trouxe novas linguagens, modelos editoriais e marcos na defesa da liberdade de imprensa.

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