Efeito cascata: julgamento de Bolsonaro pode impactar o PL e a direita brasileira

Efeito cascata: julgamento de Bolsonaro pode impactar o PL e a direita brasileira
Brazilian Army Lieutenant Colonel Mauro Cid, former aide of former Brazilian President Jair Bolsonaro attends a session of the commission investigating anti-democratic acts of January 8, in the legislative chamber of the Federal District, in Brasilia, Brazil, August 24, 2023. REUTERS/Adriano Machado/File Photo Purchase Licensing Rights
Fernanda CappellessoPor Fernanda Cappellesso 2 de setembro de 2025 4

A cúpula do Partido Liberal (PL) acompanha cada sessão do Supremo Tribunal Federal com atenção redobrada. O presidente da sigla, Valdemar da Costa Neto, mantém discurso público de confiança na inocência de Bolsonaro, mas nos bastidores já se fala em estratégias alternativas caso a condenação seja confirmada. O partido investiu fortemente na figura do ex-presidente, que se tornou o maior puxador de votos da legenda em 2022. Por isso, qualquer decisão que afaste Bolsonaro do tabuleiro eleitoral provoca abalo estrutural na legenda.

Alianças em risco e reconfiguração da direita

Se a inelegibilidade de Bolsonaro se consolidar, o efeito cascata atinge não só o PL, mas todo o espectro da direita. A figura de Bolsonaro funcionava como polo aglutinador, capaz de unir partidos menores em torno de sua candidatura presidencial. Sem ele, abre-se espaço para fragmentação interna e disputas por protagonismo.

  • No Congresso, parlamentares eleitos na onda bolsonarista já ensaiam movimentos independentes, testando novos líderes para manter influência.
  • Nos estados, o cálculo político muda: governadores e prefeitos de direita precisarão decidir se permanecem alinhados ao PL ou se buscam alternativas em partidos como PP e Republicanos.
  • No plano nacional, a ausência de Bolsonaro pode levar à formação de blocos menores em torno de candidaturas regionais, enfraquecendo a unidade da direita em 2026.

Quem pode ocupar o espaço de Bolsonaro

Dentro do PL e entre partidos aliados, alguns nomes começam a ser sondados como substitutos potenciais:

  • Figuras parlamentares com grande votação em 2022, capazes de mobilizar a base conservadora.
  • Governadores alinhados ao bolsonarismo, que podem surgir como novas lideranças nacionais.
  • Membros da família Bolsonaro, que ainda mantêm forte apelo eleitoral e poderiam carregar a herança política em 2026.

Essa movimentação revela que a sigla e aliados já trabalham com o cenário de ausência de Bolsonaro como candidato, mesmo que publicamente mantenham o discurso de confiança na reversão do quadro.

O cálculo eleitoral para 2026

Com a inelegibilidade vigente até 2030 e a possibilidade de novas condenações criminais pelo STF, Bolsonaro já enfrenta barreiras jurídicas sólidas. O desafio para o PL é transformar capital político em sobrevida partidária, evitando dispersão de sua base.

A definição do STF será, portanto, um divisor de águas: ou o partido reafirma Bolsonaro como líder simbólico, mesmo fora das urnas, ou precisará acelerar a busca por uma nova referência capaz de manter a direita competitiva em 2026.

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