Kim Jong Un participa de desfile militar na China ao lado de Xi Jinping e Vladimir Putin
equim viveu nesta semana um de seus atos políticos mais simbólicos das últimas décadas. Ao lado de Xi Jinping e Vladimir Putin, o líder norte-coreano Kim Jong Un participou de um desfile militar que exibiu a tríade nuclear chinesa e reforçou a ideia de um bloco político-militar em oposição direta ao Ocidente. O evento, realizado na Praça Tiananmen, marcou os 80 anos do fim da Segunda Guerra Mundial e reuniu mais de 12 mil soldados, além de centenas de veículos militares de última geração.
A presença de Kim Jong Un no palanque oficial não passou despercebida. Em trajes escuros e com posição de destaque ao lado de Xi e Putin, o ditador norte-coreano foi incluído na narrativa de coesão entre regimes que contestam a ordem liderada pelos Estados Unidos. Analistas apontam que sua participação funciona como recado simbólico de que Pequim e Moscou estão dispostos a legitimar Pyongyang como parceiro estratégico em um eixo revisionista, em meio às tensões globais.
O desfile trouxe a público equipamentos considerados sensíveis. Foram exibidos mísseis balísticos intercontinentais de longo alcance, capazes de atingir alvos a mais de 20 mil quilômetros, além de armamentos hipersônicos, submarinos nucleares e drones stealth de nova geração. A chamada tríade nuclear — arsenal terrestre, marítimo e aéreo — foi apresentada de forma coordenada, numa mensagem de dissuasão que remeteu aos tempos da Guerra Fria.
A coreografia militar foi acompanhada de discursos carregados de nacionalismo. Xi Jinping ressaltou que a China “não aceita intimidações externas” e defendeu uma ordem multipolar. Putin, alvo de sanções por causa da guerra na Ucrânia, reforçou que a aliança com Pequim é estratégica para desafiar o que considera “hegemonia ocidental”. Kim, embora não tenha discursado, foi aplaudido como convidado de honra e se consolidou como peça-chave do gesto político.
Para especialistas em segurança internacional, a exibição serve a múltiplos propósitos. No plano interno, fortalece a narrativa nacionalista de Xi em um momento de desafios econômicos e de instabilidade no comando militar chinês. No plano externo, sinaliza uma coordenação crescente entre três potências nucleares que, mesmo com diferentes interesses, compartilham a ambição de enfraquecer a influência dos EUA e seus aliados no Indo-Pacífico e na Europa Oriental.
A reação no Ocidente foi imediata. Governos europeus classificaram o desfile como “provocação”, enquanto Washington reforçou a necessidade de cooperação com Japão, Coreia do Sul e Austrália para conter avanços no Pacífico. Organismos internacionais alertaram para o risco de uma nova corrida armamentista, lembrando que tratados de limitação nuclear vêm sendo fragilizados nos últimos anos.
Mais do que uma celebração histórica, o desfile em Pequim se transformou em espetáculo político-militar. Ao reunir Xi, Putin e Kim no mesmo palco, a China projetou a imagem de um bloco alinhado, capaz de desafiar não apenas a hegemonia militar do Ocidente, mas também a ordem internacional estabelecida desde o fim da Guerra Fria.