Tocantins em chamas: fogo avança do Norte ao Jalapão e governo mobiliza brigadas e R$ 44,9 milhões contra queimadas

Tocantins em chamas: fogo avança do Norte ao Jalapão e governo mobiliza brigadas e R$ 44,9 milhões contra queimadas
Fernanda CappellessoPor Fernanda Cappellesso 9 de setembro de 2025 18

Colinas do Tocantins / Jalapão — 9.set.2025 — A temporada seca volta a pressionar o Tocantins. Entre o Norte do estado e o Jalapão, focos de incêndio e áreas queimadas mobilizam brigadas estaduais e federais, enquanto comunidades tradicionais — inclusive no entorno do Parque Estadual do Jalapão — relatam perdas ambientais e risco a atividades econômicas como o artesanato de capim-dourado. A gestão estadual afirma ter reduzido focos e área queimada com um pacote de prevenção, monitoramento e combate; pesquisadores do ICMBio defendem o manejo integrado do fogo como chave para evitar mega-incêndios no Cerrado.

O retrato de 2025: menos área queimada, pressão contínua

De janeiro a julho de 2025, o Tocantins registrou queda de 27,7% nos focos de queimadas e redução de 28,7% na área queimada em relação ao mesmo período de 2024, segundo a Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (SEMARH), com base no INPE e no MapBiomas. A gestão associa o resultado ao Plano Integrado de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais, articulado com o CBMTO e o Naturatins.

No recorte mensal, o Boletim do Fogo nº 05/2025 mostrou 8.399 ha queimados entre janeiro e março, alta de 133,1% frente ao 1º trimestre de 2024 — um alerta de início de estação seca que pressionou ações de campo e comunicação.

Para acompanhamento diário e comparações históricas por estado, o painel Queimadas/TerraBrasilis do INPE disponibiliza os focos ativos detectados por satélite, com visão por mês, bioma e município.

O que o governo estadual diz estar fazendo

A SEMARH sustenta que a estratégia de 2025 se apoia em três eixos — prevenção, monitoramento e combate — e cita ações de educação ambiental (como o programa Foco no Fogo) que mobilizaram 10 mil pessoas em 59 municípios, além do uso do aplicativo Recprev para registrar atividades de campo.

Em 20.ago.2025, o governo assinou contrato de R$ 44,9 milhões com o BNDES, via Fundo Amazônia, para equipar o Corpo de Bombeiros do Tocantins com veículos, drones e EPIs, reforçando a logística de combate nesta e nas próximas temporadas.

O manejo integrado no Jalapão: ciência e tradição

Pesquisas do ICMBio mostram que, entre 2001 e 2012, a política de exclusão total do fogo na Estação Ecológica Serra Geral do Tocantins levou à acumulação de combustível vegetal e à ocorrência de mega-incêndios — como os de 2010 e 2012, que queimaram mais de 80 mil hectares cada.

Desde 2014, com a adoção do manejo integrado e o uso de queimadas prescritas em diálogo com comunidades tradicionais, não foram registrados incêndios dessa magnitude. O maior evento desde então ocorreu em 2018, com 3 mil hectares queimados.

O impacto nas comunidades

Moradores do Jalapão relatam que os incêndios colocam em risco tanto a biodiversidade quanto atividades econômicas ligadas ao turismo e ao artesanato de capim-dourado. O Quilombo Mumbuca, referência da cultura local, sofre com a proximidade das chamas, que ameaçam áreas de coleta.

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