Streaming x cinema no Tocantins: hábitos culturais em disputa

Streaming x cinema no Tocantins: hábitos culturais em disputa
Fernanda CappellessoPor Fernanda Cappellesso 12 de setembro de 2025 5

— O hábito cultural dos tocantinenses está dividido entre a conveniência do streaming e a experiência coletiva da sala de cinema. Enquanto as plataformas digitais ampliam presença nos lares, o parque exibidor volta a crescer no Brasil — e o Tocantins acompanha essa tendência. Em 2024, o país registrou 3.452 salas em funcionamento, número que subiu para 3.510 em 2025, novo recorde histórico.

Do lado digital, a PNAD TIC mostra que 42,1% dos domicílios brasileiros tinham serviço de vídeo por assinatura em 2023, índice que avançou para 43,4% em 2024, com mais lares abandonando a TV aberta e a TV por assinatura. Essa mudança reflete-se também no Norte e Centro-Oeste, embora os percentuais variem conforme renda e infraestrutura de internet.

A oferta no Tocantins

O Tocantins encerrou 2024 com 26 salas de cinema, contra 23 em 2023 e 19 em 2021, sinal de recuperação pós-pandemia. Em Palmas, o Cinemark Capim Dourado mantém programação de estreias nacionais e internacionais, enquanto em Araguaína as salas locais recorrem a promoções semanais para atrair público.

Público em retomada

A frequência às salas também mostra recuperação: em 2024, o país ultrapassou 121 milhões de ingressos, sustentados por blockbusters, produções nacionais e políticas de incentivo ao audiovisual. Ao mesmo tempo, o streaming cresce pela conveniência de assistir em casa, com catálogos amplos e custos previsíveis por assinatura.

Desafios e oportunidades

No interior tocantinense, a ausência de salas ainda reforça o peso do streaming, já que deslocamentos para cidades maiores encarecem a experiência do cinema. Onde há oferta, a escolha entre a tela grande e o sofá de casa passa por preço, mobilidade e qualidade do serviço.

Especialistas lembram que tanto o streaming quanto o cinema cumprem funções distintas. O digital democratiza o acesso a obras internacionais e independentes; já a sala de cinema preserva a dimensão social do espetáculo coletivo. O desafio é garantir políticas públicas que mantenham os dois circuitos vivos — editais que incentivem festivais, sessões acessíveis e modernização das salas, sem perder de vista o fortalecimento da economia criativa digital.

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