Relatório Focus aponta queda na inflação e Ibovespa bate novo recorde
O mercado financeiro iniciou a semana em clima de otimismo. O Boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira pelo Banco Central, mostrou revisão para baixo nas expectativas de inflação em 2025, enquanto o Ibovespa encerrou o pregão no maior patamar da história, superando a marca dos 143 mil pontos.
De acordo com o relatório, a projeção para o IPCA de 2025 recuou de 4,85% para 4,83%. Para 2026, a estimativa foi mantida em 4,30%, ainda acima da meta oficial de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual. Já a previsão para a Selic ao fim de 2025 segue em 15%, uma das taxas de juros reais mais elevadas do mundo. Para 2026, a projeção foi ligeiramente reduzida para 12,38%.
No câmbio, os economistas consultados pelo Banco Central projetam o dólar a R$ 5,50 no fim deste ano, contra R$ 5,55 na semana passada. Para 2026, a expectativa segue em R$ 5,60. Quanto ao crescimento econômico, o Focus manteve a estimativa de alta de 2,16% do PIB em 2025, mas reduziu a de 2026 de 1,85% para 1,80%.
O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores brasileira, reagiu aos dados e fechou o pregão em 143.546 pontos, novo recorde histórico. Na máxima intradia, chegou a 144.193 pontos. O desempenho foi impulsionado por empresas exportadoras e pelo fluxo de investidores estrangeiros, em meio à expectativa de cortes de juros nos Estados Unidos.
Reação do mercado
Analistas destacam que a queda marginal nas projeções de inflação reforça a percepção de que a política monetária tem surtido efeito, embora ainda não haja espaço para cortes imediatos na taxa básica.
“O Banco Central deve manter a Selic elevada por mais tempo, até ter clareza de que o processo de desinflação está consolidado”, avaliou em nota a consultoria Tendências.
Para a XP Investimentos, o novo recorde do Ibovespa reflete o apetite por risco em um cenário de inflação controlada e expectativa de melhora na atividade global.
Reflexos regionais
No Tocantins, a expectativa é de impacto misto: enquanto o câmbio mais estável reduz custos de importação de insumos, especialmente para o agronegócio, a valorização do real tende a diminuir a competitividade das exportações. Já o comércio local pode se beneficiar da inflação mais contida, que tende a aliviar preços ao consumidor e ampliar o poder de compra das famílias.