Sabino deixa Ministério do Turismo: União Brasil fortalece disputa interna pela presidência da sigla
O deputado federal Celso Sabino (União Brasil-PA) confirmou que deixará o cargo de Ministro do Turismo do governo Lula. A decisão ocorre após ultimato da Executiva Nacional do União Brasil, que determinou a saída de todos os filiados que ocupam cargos no Executivo federal.
Segundo resolução interna, a cúpula do partido exigiu que Sabino e outros ocupantes de cargos no governo entregassem suas funções sob pena de infidelidade partidária. O ministro tentou permanecer no posto até a realização da COP30 em Belém, marcada para novembro, mas sua proposta foi rejeitada pelo comando do União Brasil. O movimento ganhou força após reportagens que citaram o presidente do partido, Antonio Rueda, em investigações envolvendo transações financeiras suspeitas. Rueda nega qualquer irregularidade.
Sabino deve oficializar sua carta de demissão nos próximos dias, após o retorno de Lula da Assembleia Geral da ONU, em Nova York. Enquanto isso, nomes começam a ser cogitados para substituí-lo, incluindo a secretária-executiva da pasta, Ana Carla Machado Lopes. Nos bastidores, partidos aliados já disputam espaço para ocupar o Ministério do Turismo, enquanto cresce a pressão sobre outros ministros ligados ao União Brasil, como André Fufuca, do Esporte, citado em análises da InfoMoney.
Eleito em 2024, Antonio Rueda vem endurecendo sua posição em relação ao governo Lula e articulando a federação partidária União Progressista, junto ao Progressistas (PP), para disputar as eleições de 2026. A saída de Sabino pode acelerar disputas internas pela presidência do partido. Alas do Norte e Nordeste defendem maior protagonismo regional e questionam a centralização da direção nacional em figuras ligadas ao Sudeste.
Com a redução do espaço no governo, o União Brasil deve reforçar seu discurso de independência e preparar terreno para a eleição presidencial. Rueda já declarou que a federação não abrirá mão de ter candidato a presidente ou vice em 2026, como destacou o Poder360.
A saída de Celso Sabino do Ministério do Turismo é mais que uma mudança pontual no governo Lula: é um sinal de reacomodação estratégica do União Brasil, que pode redefinir seus rumos internos e sua postura diante da corrida eleitoral de 2026.