PEC da Blindagem leva milhares às ruas; em Palmas, fala de Germana Coriolano ganha destaque

PEC da Blindagem leva milhares às ruas; em Palmas, fala de Germana Coriolano ganha destaque
Instalação dos trabalhos da primeira sessão legislativa ordinária da 55ª Legislatura do Poder Legislativo.
Fernanda CappellessoPor Fernanda Cappellesso 22 de setembro de 2025 8

Manifestações contra a chamada PEC da Blindagem reuniram milhares de pessoas em ao menos 33 cidades do país no domingo (21). Os atos também rejeitaram a proposta de anistia a condenados pelos atos de 8 de janeiro. As maiores concentrações ocorreram em São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e capitais do Nordeste.

Em Palmas, ganhou repercussão a fala da urbanista e professora da UFT Germana Pires Coriolano, que defendeu controle social sobre decisões que possam ampliar privilégios de parlamentares. Seu discurso circulou em perfis no Instagram e Threads, e reforçou a mobilização local contra a proposta.

No Congresso, o presidente da CCJ, Otto Alencar, designou o senador Alessandro Vieira como relator da PEC. Vieira já antecipou que apresentará relatório pela rejeição integral do texto. No Supremo Tribunal Federal, ministros avaliam que a proposta fere a separação de poderes e dificilmente resistiria ao crivo de constitucionalidade.

No Planalto, a atenção se concentra em Brasília enquanto o presidente Lula participa da 80ª Assembleia Geral da ONU em Nova York. A ausência de Lula durante os protestos reforçou a centralidade do Senado nas negociações, e partidos de oposição já indicaram que podem acionar o STF caso a matéria avance.

A proposta da PEC da Blindagem amplia proteções a parlamentares, dificultando prisões e abertura de ações penais. Críticos afirmam que isso transformaria a Câmara e o Senado em instâncias de impunidade: nos últimos 13 anos, apenas 1 de 217 pedidos de processo penal enviados pelo STF foi autorizado pela Câmara.

Os protestos nacionais indicam que o custo político de aprovar a PEC cresce rapidamente. A presença de Germana Coriolano em Palmas exemplifica como lideranças acadêmicas e movimentos locais ajudam a dar capilaridade à pauta, conectando o Tocantins ao debate nacional.

No Senado, a tendência de rejeição já explicitada pelo relator Alessandro Vieira cria expectativa de que a PEC seja barrada ainda na CCJ. O STF reforça esse cenário ao sinalizar que o texto não resistiria a uma ação de inconstitucionalidade.

Enquanto isso, o governo tenta equilibrar discurso: evita confronto direto em meio à agenda de Lula em Nova York, mas acompanha de perto os desdobramentos em Brasília. O caso mostra a tensão permanente entre autonomia parlamentar e controle judicial, um debate que deverá se intensificar até a votação formal.

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