Câmara aprova isenção de IR até R$ 5 mil: veja como a medida muda a vida de 27 milhões de brasileiros e por que os mais ricos vão pagar mais

Câmara aprova isenção de IR até R$ 5 mil: veja como a medida muda a vida de 27 milhões de brasileiros e por que os mais ricos vão pagar mais
Crédito: Bruno Spada/Câmara dos Deputados
Fernanda CappellessoPor Fernanda Cappellesso 2 de outubro de 2025 8

Em votação considerada histórica, a Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira (1º) o projeto que amplia a faixa de isenção do Imposto de Renda (IR) para rendimentos de até R$ 5 mil mensais. A proposta, que ainda precisa do aval do Senado, altera a tabela progressiva do imposto e promete beneficiar diretamente 27 milhões de contribuintes em todo o país.

Para compensar a queda de arrecadação, estimada em R$ 25 bilhões ao ano, o texto prevê aumento das alíquotas efetivas para os 0,2% mais ricos da população, cerca de 450 mil pessoas, que passarão a contribuir mais.

A medida também cria uma faixa intermediária: rendimentos entre R$ 5 mil e R$ 7.350 mensais terão desconto parcial.

Contexto e comparações internacionais

Especialistas lembram que a tabela do IR no Brasil estava defasada em mais de 140% desde 1996, quando a faixa de isenção era corrigida abaixo da inflação. Na prática, trabalhadores que antes estavam isentos foram empurrados para a cobrança, mesmo sem ganho real de renda.

Com a nova tabela, o Brasil se aproxima de padrões adotados em países como Portugal, onde a isenção cobre até 14 salários mínimos anuais, e Alemanha, que isenta rendas equivalentes a € 10 mil por ano.

Segundo dados da OCDE, em países desenvolvidos a carga tributária costuma ser mais pesada sobre o topo da pirâmide de renda, ao contrário do que ocorre no Brasil, onde a classe média paga proporcionalmente mais.

Especialista avalia

Para o economista André Martins,  a proposta corrige distorções históricas:

“O Brasil tinha uma das tabelas mais defasadas da América Latina. Ao ampliar a isenção para R$ 5 mil, o país alivia a classe média e transfere parte da conta para os muito ricos, algo mais justo do ponto de vista distributivo. O desafio será garantir que essa arrecadação adicional não fuja para mecanismos de elisão fiscal”, destacou.

Casos que mostram os efeitos da mudança

1. Ana Paula, 32 anos, professora da rede pública, renda de R$ 4.850
Antes da reforma, Ana Paula pagava cerca de R$ 180 mensais de IR. Agora, ficará totalmente isenta.

“Esse dinheiro vai direto para a minha educação e para ajudar meus pais aposentados. É um alívio que faz diferença real no fim do mês”, disse.

2. João Batista, 45 anos, gerente administrativo, renda de R$ 6.500
Na faixa de transição, João terá desconto parcial. Hoje paga R$ 600 mensais, valor que cairá para R$ 350.

“Não é a isenção total, mas já ajuda muito. O custo de vida aumentou, e ter R$ 250 a mais no orçamento significa pagar parte da escola do meu filho”, relatou.

3. Ricardo Almeida, 58 anos, empresário, renda de R$ 80 mil
Ricardo faz parte dos 0,2% mais ricos. Atualmente paga R$ 18 mil de IR por mês; com a nova regra, passará a pagar R$ 20,5 mil.

“A conta vai para os que ganham mais. Eu aceito, desde que haja retorno em serviços públicos de qualidade. O problema seria tributar sem reformar o Estado”, comentou.

Repercussão política

Para o governo, a aprovação representa uma vitória política, ao mesmo tempo em que responde a pressões sociais pela correção da tabela. Deputados da base celebraram a medida como um passo rumo à justiça tributária.

Já parlamentares da oposição alegaram que a maior taxação sobre empresários e investidores pode gerar impacto negativo em investimentos privados, sobretudo em setores intensivos em capital.

O projeto segue agora para análise do Senado Federal. Caso seja aprovado sem alterações, a nova tabela entrará em vigor já em janeiro de 2026.

Notícias relacionadas