Agricultura familiar no Tocantins tem expansão histórica com R$ 570 milhões do Plano Safra 2025/2026

Agricultura familiar no Tocantins tem expansão histórica com R$ 570 milhões do Plano Safra 2025/2026
Fernanda CappellessoPor Fernanda Cappellesso 4 de outubro de 2025 18

A agricultura familiar no Tocantins vive um dos momentos mais expressivos de sua história. Com o lançamento do Plano Safra da Agricultura Familiar 2025/2026, o estado terá acesso a R$ 570 milhões em crédito rural até junho de 2026. Os recursos são parte do montante recorde de R$ 89 bilhões destinados pelo Governo Federal ao setor em todo o país, o maior volume já aplicado no Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar).

Crescimento acelerado no Tocantins

Nos últimos anos, o Tocantins se consolidou como um dos estados que mais ampliaram o uso dos recursos do Plano Safra. Os números revelam uma curva de crescimento inédita: o total de contratos firmados saltou de 3.415 para 5.750em um único ciclo, alta de 68%, enquanto o volume de recursos aplicados passou de R$ 189 milhões para R$ 420 milhões, uma expansão de 122%.

Com o novo aporte, a expectativa é de que o estado ultrapasse a marca de 90 mil famílias atendidas, transformando a agricultura familiar em motor de renda, produção de alimentos básicos e inclusão social.

Agricultura familiar como eixo estratégico

A agricultura familiar é responsável por cerca de 70% dos alimentos consumidos diariamente no Brasil, segundo o IBGE. No Tocantins, esse modelo de produção é a base econômica de milhares de comunidades rurais, assentamentos e territórios quilombolas.

Além de arroz, feijão, mandioca, frutas e leite, o Plano Safra 2025/2026 prevê financiamento especial para produtos regionais como açaí, babaçu, castanha e pequi, fortalecendo cadeias tradicionais da região Norte. Também há incentivo a sistemas orgânicos e agroecológicos, o que conecta os pequenos produtores ao crescente mercado de consumo sustentável.

Recordes nacionais e disputa por recursos

O valor destinado ao Tocantins está inserido no pacote nacional de R$ 89 bilhões, sendo R$ 78,2 bilhões apenas para o Pronaf, o maior da série histórica desde a criação do programa. O crédito oferece condições diferenciadas de juros, prazos e garantias para agricultores de menor porte.

Na comparação com estados vizinhos, o Tocantins ganha protagonismo. Enquanto Goiás teve cerca de R$ 1,2 bilhão anunciado para agricultura familiar, o Tocantins, com uma população significativamente menor, alcançou R$ 570 milhões — sinal de que o desempenho do estado em aplicar recursos foi determinante para ampliar a fatia recebida.

Inclusão e sucessão rural

Outro ponto de destaque do Plano Safra é o incentivo à sucessão rural. A meta é garantir que filhos de agricultores tenham condições de permanecer no campo com renda e perspectivas de futuro, reduzindo o êxodo rural que historicamente impacta a região Norte e o Cerrado brasileiro.

Também ganham força os programas voltados ao cadastro de agricultores familiares, assistência técnica e mutirões de documentação, considerados estratégicos para democratizar o acesso ao crédito.

Impacto social direto

Para comunidades como a Quilombola Malhadinha, em Brejinho de Nazaré, o crédito rural tem efeito imediato. Agricultores relatam que o financiamento possibilita desde a reforma de galinheiros e ampliação da produção de avicultura até investimentos em sistemas de irrigação e compra de maquinário.

Com a expansão do crédito, a expectativa é que o Tocantins fortaleça a produção de alimentos para abastecimento interno e, ao mesmo tempo, incremente cadeias produtivas voltadas para mercados externos, como a exportação de frutas e derivados do babaçu.

O lançamento do Plano Safra 2025/2026 no Tocantins confirma uma tendência: a agricultura familiar deixou de ser vista apenas como subsistência e se consolidou como pilar estratégico da economia regional e nacional.

Se conseguir executar plenamente os R$ 570 milhões disponibilizados, o estado poderá não apenas ampliar a renda das famílias agricultoras, mas também se transformar em referência nacional em políticas públicas para o campo.

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