Aliados da direita minam candidatura de Caiado: Ciro Nogueira condiciona apoio ao “tempo” e viabilidade

Aliados da direita minam candidatura de Caiado: Ciro Nogueira condiciona apoio ao “tempo” e viabilidade
O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil), enfrenta resistência dentro do próprio campo da direita. Em meio a críticas de aliados como Ciro Nogueira e Celso Sabino, o goiano tenta manter viva a pré-candidatura à Presidência em 2026.
Fernanda CappellessoPor Fernanda Cappellesso 11 de outubro de 2025 9

Ciro Nogueira afirma que “o tempo dirá” se Caiado será viável. Sabino ironiza “1,5% nas pesquisas”, e analistas apontam falta de tração nacional como principal obstáculo para o governador de GoiásBrasília e Goiânia — A pretensão do governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil), de disputar a Presidência em 2026 enfrenta resistência crescente dentro do próprio campo da direita.
Nas últimas semanas, aliados como o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e o ministro do Turismo, Celso Sabino, manifestaram publicamente dúvidas sobre a viabilidade da candidatura do goiano.

Na quinta-feira (9.out.2025), o presidente do PP e ex-ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira, declarou que “o tempo dirá se a candidatura de Caiado é viável ou não”, afirmando que não será ele quem vai “impedir ou apoiar” o projeto político do governador.

“Não tenho nada contra o governador Caiado. É um grande governador. Agora, o candidato tem que mostrar viabilidade. O tempo dirá se ele é viável ou não. Não sou eu que vou impedir ou apoiar sua candidatura. Quem tem que apoiar é o povo”,
disse o senador ao Poder360.

A fala de Ciro ocorreu após uma troca de críticas entre os dois, no domingo (5.out.2025), quando o senador afirmou que os nomes “mais competitivos da direita” seriam Tarcísio de Freitas (SP) e Ratinho Júnior (PR), deixando Caiado de fora da lista.
O governador reagiu afirmando que “ninguém terá autoridade para me dizer se sou ou não candidato” e que não será “porta-voz de Bolsonaro nem de ninguém”.

Crise no União Brasil e a fala dos “1,5%”

A tensão também se espalhou dentro do União Brasil, partido que Caiado preside em Goiás.
Durante a reunião da Executiva Nacional, que resultou no processo de afastamento do ministro do Turismo, Celso Sabino, o governador pediu a expulsão do correligionário.
Sabino reagiu com ironia:

“Quando ele atingir 1,5% nas pesquisas, eu respondo ele.”
— disse o ministro em entrevista à CNN Brasil.

Caiado respondeu lembrando que a mesma frase já havia sido usada por Lula contra ele em 1989, quando ambos disputaram a Presidência:

“Até a frase é a do Lula. Mas eu sigo com a mesma coerência de sempre.”
— completou o governador, também à CNN Brasil.

O embate expôs rachas internos no União Brasil e ampliou a percepção de isolamento de Caiado dentro do próprio partido, em um momento em que outras lideranças da direita, como Tarcísio de Freitas e Romeu Zema, articulam alianças mais consolidadas.

Falta de tração nacional e limites digitais

Fora da arena partidária, a dificuldade de Caiado em ganhar projeção nacional também é registrada em pesquisas e análises recentes.
Um levantamento da Ativaweb, divulgado pela coluna Radar da Veja, mostra que o governador teve crescimento de apenas 8,3% nas redes sociais entre abril e setembro de 2025 — engajamento de 1,7%, abaixo de outros presidenciáveis do campo da direita.

Os dados revelam ainda que 23,6% de seus seguidores estão em Goiás, enquanto apenas 4,8% estão em São Paulo e 3,2% em Minas Gerais, o que indica baixa penetração nacional.

“Ele é um gestor eficiente, mas ainda não é percebido como figura de alcance nacional. A direita hoje está fragmentada, e Caiado não tem, até o momento, densidade de narrativa fora de Goiás”,
avalia um especialista em cenários eleitorais ouvido pela reportagem.

Caiado tenta reagir e critica vetos internos

Em entrevista à Folha de S.Paulo, Caiado disse que “um candidato único da direita seria triturado se enfrentasse Lula sozinho”, sinalizando que defende múltiplas candidaturas no primeiro turno.
O governador também criticou o que chamou de “vetos seletivos” dentro da base, afirmando que “ninguém vai me tirar da disputa com conversa de bastidor”.

Nos bastidores, interlocutores próximos dizem que Caiado mantém diálogo com Podemos, Solidariedade e Republicanos, caso o União Brasil decida apoiar outro nome em 2026.
Por enquanto, a candidatura segue no campo das intenções — mais citada pelos críticos do que pelos apoiadores.

Leia também:

Barroso nega habeas corpus e mantém afastamento de Wanderlei Barbosa: entenda toda a linha do tempo da Operação Fames-19

Notícias relacionadas