Tocantins: autoridades negam intoxicações por metanol, mas estado entra no radar nacional

Tocantins: autoridades negam intoxicações por metanol, mas estado entra no radar nacional
Fernanda CappellessoPor Fernanda Cappellesso 11 de outubro de 2025 12

O Tocantins entrou no radar do Ministério da Saúde após uma onda de intoxicações por metanol em diversos estados brasileiros. Apesar da mobilização nacional, o governo estadual informou que não há registro de casos da substância em território tocantinense.

A Secretaria de Estado da Saúde (SES-TO) negou oficialmente a circulação de bebidas contaminadas e classificou como boatos as mensagens que circularam em redes sociais. Segundo a pasta, nenhum hospital notificou ocorrência de intoxicação por álcool metílico até o momento.

Mesmo sem casos confirmados, o estado recebeu 16 unidades do antídoto fomepizol, distribuídas pelo Ministério da Saúde como parte da estratégia preventiva que abrange todo o país. O medicamento é usado no tratamento emergencial de intoxicações graves e atua bloqueando a metabolização do metanol em substâncias tóxicas.

Contexto nacional

O Brasil vive um surto de intoxicações relacionadas a bebidas adulteradas. Até 10 de outubro, havia 246 notificações, sendo 29 confirmadas e 217 em investigação. São Paulo concentra a maior parte dos casos, segundo o boletim do Ministério da Saúde.

Para enfrentar a crise, o governo federal instalou uma Sala de Situação Nacional, reunindo técnicos da pasta, da Anvisa e dos Centros de Informação e Assistência Toxicológica (CIATox). Hospitais de todo o país receberam orientações para notificação imediata de casos suspeitos.

A Vigilância Sanitária de São Paulo também emitiu alertas aos profissionais de saúde, descrevendo sintomas típicos da intoxicação — como visão turva, náuseas, dores abdominais e confusão mental. A força-tarefa paulista apreendeu 117 garrafas sem procedência, reforçando o caráter emergencial da operação.

O risco e os cuidados

O metanol, também conhecido como álcool metílico, é amplamente utilizado em processos industriais e proibido para consumo humano. No organismo, ele se transforma em formaldeído e ácido fórmico, compostos capazes de causar cegueira e falência múltipla de órgãos.

De acordo com o protocolo oficial do governo federal, os principais canais de emergência são:

A orientação das autoridades é evitar bebidas sem selo fiscal, desconfiar de produtos com odor forte e procurar atendimento médico imediato caso surjam sintomas após ingestão de álcool.

Fiscalização e transparência

Mesmo sem confirmação de casos, o Tocantins deve manter a vigilância ativa em conjunto com órgãos federais, fiscalizando distribuidoras, indústrias químicas e o comércio de bebidas. A Anvisa e o Naturatins devem atuar em parceria para controlar o transporte e o armazenamento de produtos químicos de uso restrito.

Até o momento, nenhum óbito foi registrado no Tocantins. As ações, segundo a SES-TO, têm caráter preventivo.

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