PORTELIANDO | “No silêncio reverente do plenário — Beto e Fux

PORTELIANDO | “No silêncio reverente do plenário — Beto e Fux
Fernanda CappellessoPor Fernanda Cappellesso 16 de outubro de 2025 10

No silêncio que se instaurou no plenário do Supremo Tribunal Federal, não havia apenas formalidade. Havia reverência. Um instante suspenso entre a razão e o sentimento. Ali, onde tantas vezes ecoam votos, decisões e divergências, o ministro Luiz Fux escolheu a palavra mais rara no ambiente jurídico: a amizade. E ao se dirigir ao colega Luís Roberto Barroso, a quem chama de “Beto”, o tom mudou. O plenário, acostumado à liturgia da toga, se tornou palco de algo mais humano — um encontro de almas.

 A Crônica do Afeto e do Tempo

Luiz Fux não discursou apenas como magistrado, mas como um amigo que reconhece no outro a caminhada partilhada, o riso entre debates, o olhar cúmplice nos momentos de decisão. A solenidade do Supremo, naquele instante, pareceu perder o peso dos mármores e se vestir de ternura.
“Beto”, como o chama Fux, é mais que o colega de Corte — é o parceiro de jornada, o companheiro de ideais, o que compartilha a vocação de servir à justiça sem perder o coração.

Houve ali uma pausa. E nessa pausa morava algo que nem os autos, nem os acórdãos registram: o respeito verdadeiro. O gesto de Fux foi discreto, contido, mas profundamente eloquente. Era a celebração de um tempo de convivência em que as divergências não dividiram, apenas lapidaram a amizade.

Como lembrou Fux, “o tempo é sábio, ele não separa o inseparável”. E, assim, o que se viveu ali foi mais que uma despedida de tribunal — foi uma liturgia da vida. A passagem de um ciclo, a permanência de um laço.

“Quando me aposentar, e não falta muito para isso, gostaria que algum colega e amigo fizesse para mim uma despedida assim — simples, sincera e carregada de afeto, como a que Luiz Fux fez por Beto.”
João Portelinha da Silva, in “Sentir a Terra nas Vozes Populares”

Naquela manhã, o Supremo viveu um raro instante de humanidade plena. O direito deu lugar à emoção; o formalismo cedeu espaço à gratidão.
Barroso sai, mas o eco de Fux permanece — não apenas nas atas da história judicial, mas nas lembranças que fazem a travessia da alma.

E talvez essa seja a mais bela lição que o tribunal poderia ensinar ao país: que por trás das decisões e das divergências há homens, há histórias, há laços.
E que as boas amizades, como a justiça verdadeira, são aquelas que resistem ao tempo e permanecem — firmes, silenciosas e eternas.


📍Etiqueta editorial:
Cultura e Reflexão | Crônica literária publicada na coluna “Porteliando” – Diário Tocantinense.
Palavras-chave: STF, Luiz Fux, Luís Roberto Barroso, amizade, magistratura, João Portelinha da Silva, crônica.

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