PORTELIANDO | “No silêncio reverente do plenário — Beto e Fux
No silêncio que se instaurou no plenário do Supremo Tribunal Federal, não havia apenas formalidade. Havia reverência. Um instante suspenso entre a razão e o sentimento. Ali, onde tantas vezes ecoam votos, decisões e divergências, o ministro Luiz Fux escolheu a palavra mais rara no ambiente jurídico: a amizade. E ao se dirigir ao colega Luís Roberto Barroso, a quem chama de “Beto”, o tom mudou. O plenário, acostumado à liturgia da toga, se tornou palco de algo mais humano — um encontro de almas.
A Crônica do Afeto e do Tempo
Luiz Fux não discursou apenas como magistrado, mas como um amigo que reconhece no outro a caminhada partilhada, o riso entre debates, o olhar cúmplice nos momentos de decisão. A solenidade do Supremo, naquele instante, pareceu perder o peso dos mármores e se vestir de ternura.
“Beto”, como o chama Fux, é mais que o colega de Corte — é o parceiro de jornada, o companheiro de ideais, o que compartilha a vocação de servir à justiça sem perder o coração.
Houve ali uma pausa. E nessa pausa morava algo que nem os autos, nem os acórdãos registram: o respeito verdadeiro. O gesto de Fux foi discreto, contido, mas profundamente eloquente. Era a celebração de um tempo de convivência em que as divergências não dividiram, apenas lapidaram a amizade.
Como lembrou Fux, “o tempo é sábio, ele não separa o inseparável”. E, assim, o que se viveu ali foi mais que uma despedida de tribunal — foi uma liturgia da vida. A passagem de um ciclo, a permanência de um laço.
“Quando me aposentar, e não falta muito para isso, gostaria que algum colega e amigo fizesse para mim uma despedida assim — simples, sincera e carregada de afeto, como a que Luiz Fux fez por Beto.”
— João Portelinha da Silva, in “Sentir a Terra nas Vozes Populares”
Naquela manhã, o Supremo viveu um raro instante de humanidade plena. O direito deu lugar à emoção; o formalismo cedeu espaço à gratidão.
Barroso sai, mas o eco de Fux permanece — não apenas nas atas da história judicial, mas nas lembranças que fazem a travessia da alma.
E talvez essa seja a mais bela lição que o tribunal poderia ensinar ao país: que por trás das decisões e das divergências há homens, há histórias, há laços.
E que as boas amizades, como a justiça verdadeira, são aquelas que resistem ao tempo e permanecem — firmes, silenciosas e eternas.
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Cultura e Reflexão | Crônica literária publicada na coluna “Porteliando” – Diário Tocantinense.
Palavras-chave: STF, Luiz Fux, Luís Roberto Barroso, amizade, magistratura, João Portelinha da Silva, crônica.