“Sem mudança nos relógios: ministro de Minas e Energia descarta retorno do horário de verão”
O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, afirmou que não há necessidade de retomar o horário de verãono Brasil. Segundo ele, a política perdeu eficácia diante da mudança do perfil de consumo elétrico e do avanço das fontes renováveis. Silveira destacou que o sistema nacional opera com estabilidade e que “o Brasil vive um novo momento energético”, apoiado em energia limpa e planejamento preventivo.
De acordo com o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), a volta do adiantamento dos relógios reduziria a demanda máxima em apenas 2,9% e traria economia operacional de cerca de R$ 400 milhões — ganho considerado insuficiente para justificar a adoção da medida. O relatório técnico mostra que, em várias regiões, o pico de consumo deslocou-se para o meio da tarde, período de maior uso de ar-condicionado, e não mais para o início da noite.
O Ministério de Minas e Energia reforça que o benefício se tornou marginal à medida que o consumo residencial cresceu e a matriz passou a contar com mais energia solar e eólica. O próprio ministério explica que o antigo ganho de luz natural no fim do dia não compensa o aumento de carga nas horas mais quentes.
Além disso, o ONS alerta que o horário de verão pode prolongar a “rampa de carga” entre o entardecer e a noite, transferindo o pico para períodos ainda críticos. O efeito líquido seria pequeno, com risco de sobrecarga em algumas regiões. Para o governo, é mais racional investir em eficiência energética, baterias e controle digital da rede do que alterar fusos temporais.
No Tocantins, a Energisa Tocantins acompanha o mesmo padrão nacional: o consumo máximo ocorre no meio da tarde, quando o calor é mais intenso. Técnicos da empresa afirmam que, mesmo com temperaturas médias superiores a 35 °C, o horário de verão não reduziria de forma significativa a pressão sobre a rede. A concessionária mantém programas de uso consciente e incentiva o deslocamento voluntário de atividades para horários de menor demanda.
Outro ponto observado é o impacto tarifário. A distribuidora explica que, no modelo atual, o custo de geração é definido por bandeiras tarifárias e não por horário, o que torna o efeito da mudança de relógio praticamente nulo. Na prática, o consumidor tocantinense sentiria pouca diferença na conta de luz, como mostrou levantamento da editoria de energia do Diário Tocantinense.
Silveira afirma que o país vive “o melhor cenário hidrológico em anos” e que as reservas de água nas hidrelétricas garantem tranquilidade ao sistema. O ministério seguirá monitorando a evolução do consumo e poderá reavaliar a medida se o contexto energético se alterar. Por enquanto, o consenso técnico é de que o Brasil, com matriz diversificada e crescente presença solar, não depende mais de uma simples mudança de ponteiro para equilibrar oferta e demanda.
A decisão simboliza uma nova fase da política energética nacional: menos foco em soluções de calendário e mais ênfase em tecnologia, previsibilidade e integração entre fontes limpas. O horário de verão cumpriu seu papel histórico, mas, no cenário atual, tornou-se um instrumento de efeito limitado.