Jorge Messias no STF: quem é o novo ministro e por que sua indicação divide a bancada evangélica

Jorge Messias no STF: quem é o novo ministro e por que sua indicação divide a bancada evangélica
Fernanda CappellessoPor Fernanda Cappellesso 20 de outubro de 2025 21

A nomeação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF) abriu uma nova frente de disputa no Congresso e nas igrejas. O ex-advogado-geral da União é visto como técnico e discreto, mas sua postura em temas morais e de costumes dividiu a bancada evangélica, que esperava uma indicação mais alinhada ao conservadorismo religioso.

Quem é Jorge Messias

Natural de Recife, formado em Direito pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e mestre pela Universidade de Brasília (UnB), Messias ingressou na Advocacia-Geral da União em 2007 e se tornou procurador da Fazenda Nacional. Entre 2011 e 2016, atuou como subchefe para Assuntos Jurídicos da Presidência da República, no governo Dilma Rousseff — o mesmo cargo ocupado por José Eduardo Cardozo em 2005.

Em 2023, foi nomeado Advogado-Geral da União por Lula, e desde então ganhou espaço entre ministros do Supremo e assessores do Planalto. Fontes do Correio Braziliense relatam que o presidente via Messias como “jurista equilibrado, com perfil conciliador e sensibilidade política”.

Os bastidores da indicação

O nome de Messias ganhou força após a aposentadoria de Luís Roberto Barroso, que presidia o STF. No Planalto, ele é visto como figura de confiança e considerado leal à agenda institucional do governo. Segundo a CNN Brasil, Lula optou por Messias porque ele “nunca gerou ruído político e tem trânsito em todos os poderes”.

O grupo de juristas Prerrogativas, que reúne advogados próximos ao presidente, também endossou a escolha, classificando-a como “um acerto técnico e institucional”.

A reação da bancada evangélica

A indicação, porém, encontrou resistência dentro da própria base religiosa do governo. O deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) classificou Messias como “evangélico de esquerda”, afirmando que “representa menos de 5% dos fiéis brasileiros”.

Já a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) destacou que “a fé de Messias não está em discussão, mas seu alinhamento ideológico é incompatível com a pauta de valores defendida pela bancada”.

Nos bastidores do Congresso, líderes da Frente Parlamentar Evangélica avaliam que a nomeação reforça o domínio político de Lula sobre o Supremo, e que a escolha de um ministro com perfil progressista enfraquece a representatividade religiosa no tribunal.

Entre técnica e ideologia

Messias é considerado jurista de linha garantista — perfil que defende a Constituição como limite à atuação punitivista do Estado. Essa postura o aproxima de ministros como Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes, mas o distancia de alas conservadoras que reivindicam uma leitura “originalista” da Carta Magna.

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) criticou a escolha, afirmando que “o STF precisa de equilíbrio, não de mais confusão política”.

Analistas jurídicos, contudo, ressaltam que Messias é um dos poucos nomes civis com trânsito no Legislativo e experiência executiva, o que pode trazer estabilidade ao tribunal. Para o jurista Gustavo Binenbojm, ouvido pelo Diário Tocantinense, “a polêmica não é sobre fé, mas sobre a capacidade de conciliar técnica e sensibilidade institucional num tribunal cada vez mais exposto às pressões sociais”.

\O que vem pela frente

Se confirmado, Jorge Messias será submetido à sabatina do Senado Federal, onde será questionado sobre liberdade religiosa, aborto, descriminalização das drogas e limites do ativismo judicial.

Com 45 anos, ele poderá permanecer no cargo por mais de duas décadas, consolidando-se como um dos ministros mais jovens da história recente da Corte.

O Palácio do Planalto aposta que sua nomeação trará “serenidade técnica e previsibilidade institucional”, enquanto parte da bancada evangélica teme “o esvaziamento de pautas morais”.

A escolha de Jorge Messias para o STF simboliza a intersecção entre fé, política e direito num Brasil cada vez mais dividido entre técnica e ideologia.
Para uns, ele é a face moderna da Justiça republicana; para outros, um alerta sobre o distanciamento entre religião e poder.
O debate, no fundo, expõe algo maior: o desafio de representar uma nação plural dentro da mais alta corte do país.

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