Em Palmas, Embrapa inaugura o primeiro banco de sêmen de tambaqui do país
O Brasil inaugurou nesta semana, em Palmas, o primeiro banco de sêmen de tambaqui (Colossoma macropomum)do país, consolidando o Tocantins como referência nacional em conservação genética de peixes nativos. A estrutura, instalada na Embrapa Pesca e Aquicultura, vai armazenar amostras de sêmen coletadas de exemplares de alto desempenho reprodutivo, abrindo caminho para pesquisas em melhoramento genético e reprodução assistida de espécies da Amazônia e do Cerrado.
Com tecnologia de criopreservação — técnica que utiliza nitrogênio líquido a -196°C — o banco permitirá preservar material genético por tempo indeterminado, o que deve reduzir custos e ampliar o acesso de produtores a linhagens mais produtivas e resistentes. O projeto, desenvolvido ao longo dos últimos anos, envolve a coleta de sêmen de 32 reprodutores, a capacitação de 25 profissionais e a criação de um banco de dados genético no sistema nacional ALELO.
Pesquisadores da Embrapa afirmam que o tambaqui, espécie símbolo da piscicultura brasileira, é hoje um dos pilares da produção de peixes nativos no país, mas enfrenta desafios de manejo genético, perda de variabilidade e riscos ambientais. A iniciativa, segundo eles, busca evitar a erosão genética e garantir a sustentabilidade da produção em larga escala.
A instalação do banco ocorre em meio à expansão da piscicultura no Norte do Brasil, especialmente no Tocantins, onde a atividade vem se consolidando como alternativa econômica à pecuária extensiva. Dados da Embrapa indicam que o estado já responde por parte significativa da produção nacional de tambaqui e possui condições ambientais favoráveis à reprodução da espécie.
Durante a cerimônia de inauguração, também foram entregues máquinas agrícolas a municípios do interior do estado, em uma ação paralela voltada à estruturação da base produtiva local. Apesar da coincidência das agendas, o foco técnico do evento recaiu sobre o potencial científico do novo banco genético e seu papel estratégico na inovação da aquicultura nacional.
Especialistas avaliam que a criação da estrutura em Palmas insere o Tocantins em uma rota de inovação científica voltada à bioeconomia e à segurança alimentar. Para os produtores da região, o projeto representa mais do que um avanço técnico — é uma aposta em competitividade e soberania genética sobre espécies nativas que, até então, dependiam de iniciativas isoladas de reprodução.
Com a inauguração, o Brasil passa a integrar um seleto grupo de países com programas formais de conservação e distribuição de material genético de peixes tropicais, movimento considerado essencial para o futuro da aquicultura sustentável e para o reposicionamento do país no mercado internacional de genética animal.