Brasil se prepara para a COP30: Tocantins quer levar propostas sobre energia limpa e reflorestamento e o RED++

Brasil se prepara para a COP30: Tocantins quer levar propostas sobre energia limpa e reflorestamento e o RED++
Fernanda CappellessoPor Fernanda Cappellesso 24 de outubro de 2025 6

Com o Brasil se preparando para sediar a COP 30, em Belém (PA), o Tocantins articula sua participação no maior evento climático do planeta com uma pauta estratégica: energia limpa, reflorestamento e RED++ — mecanismo global de incentivo à conservação e restauração de florestas.
O Estado quer chegar à conferência com propostas técnicas consolidadas, que reforcem o papel do Cerrado e das transições energéticas na busca pela neutralidade de carbono.

Representação e articulação técnica

O governo estadual, por meio da Secretaria do Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Tocantins (Semarh), participou da apresentação de diretrizes temáticas da COP 30 em abril de 2025, em Brasília.
O encontro integrou o processo de construção da posição brasileira para o evento, com representantes de governos estaduais, universidades e instituições ambientais.
Segundo a Semarh, o Tocantins deve contar com representação técnica e política, envolvendo pesquisadores da Universidade Federal do Tocantins (UFT) e do Instituto Federal do Tocantins (IFTO), além de lideranças ambientais.

“Queremos mostrar o potencial do Cerrado na agenda de mitigação climática. O Tocantins tem território estratégico, diversidade energética e pesquisas sólidas em reflorestamento”, disse uma fonte da pasta à reportagem.

Energia limpa e reflorestamento

Entre os temas defendidos pelo Estado, está o avanço da energia limpa, especialmente solar e eólica.
Segundo dados da Aneel, o Tocantins tem 38 usinas solares em operação e dezenas em fase de licenciamento.
A aposta no reflorestamento inclui ações de recuperação de áreas degradadas, recomposição de matas ciliares e ampliação de corredores ecológicos, iniciativas que poderão ser apresentadas dentro do eixo de neutralidade de carbono do evento.

“O Cerrado é o bioma que mais perdeu cobertura nativa nas últimas décadas e, ao mesmo tempo, aquele que mais pode contribuir para a neutralidade de carbono se houver investimento”, destacou a professora de ecologia Renata Arantes, da UFT.

O papel do RED++

O REDD++ (Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal) é um dos mecanismos centrais na política global de financiamento climático.
O Tocantins já possui projetos-piloto para geração de créditos de carbono em áreas de transição Cerrado-Amazônia, com envolvimento de comunidades rurais e indígenas.
A proposta do Estado é apresentar na COP 30 um modelo de gestão regional dos créditos ambientais, que combine fiscalização, monitoramento por satélite e inclusão social.

Cerrado e protagonismo regional

Ambientalistas ouvidos pela reportagem afirmam que o Cerrado deve estar no centro das discussões climáticas brasileiras.
Segundo o MapBiomas, o bioma perdeu 1,1 milhão de hectares de vegetação nativa em 2024, número que coloca a região no topo dos alertas de desmatamento.
Para o biólogo Cláudio Lemos, do IFTO, “a COP 30 é uma chance histórica para mostrar que o Cerrado não é um bioma periférico, mas uma área-chave para a estabilidade climática do Brasil e da América do Sul”.

Expectativas e próximos passos

O Tocantins deve formalizar sua delegação nas próximas semanas e encaminhar projetos vinculados à Agenda 2030 da ONU, em especial os objetivos 7 (energia limpa), 13 (ação climática) e 15 (vida terrestre).
O governo também estuda incluir no pacote de propostas um plano de transição energética estadual, com metas de redução de emissões até 2035.
A COP 30 ocorrerá entre 10 e 21 de novembro de 2025, em Belém (PA), com a presença de mais de 30 mil representantes de governos, empresas e organizações ambientais de 200 países.

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