Alta e queda nas Ceasas: quanto custam abobrinha, arroz, feijão, quiabo e milho-verde — e onde o Tocantins sai ganhando

Alta e queda nas Ceasas: quanto custam abobrinha, arroz, feijão, quiabo e milho-verde — e onde o Tocantins sai ganhando
Fernanda CappellessoPor Fernanda Cappellesso 26 de outubro de 2025 15

O Diário Tocantinense realizou um levantamento exclusivo nos bancos de dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), com base nas informações do Prohort e das principais centrais de abastecimento do país, como a Ceagesp. O objetivo foi mapear quanto custam atualmente abobrinha, arroz, feijão, quiabo e milho-verdenas Ceasas do Brasil e, em especial, no Tocantins.

O estudo mostra que produtos altamente perecíveis, como o quiabo e o milho-verde, apresentam as maiores variações de preço, influenciadas por fatores climáticos e logísticos. Já grãos como arroz e feijão seguem tendências nacionais, guiadas pela safra e pelo custo de transporte, com repasses mais lentos ao consumidor tocantinense.

Palmas

Na Ceasa de Palmas, o milho-verde apresentou preço médio de R$ 6,50/kg, conforme a cotação de 24 de outubro, acima da média nacional registrada em Ribeirão Preto (R$ 3,65/kg). A diferença reflete o custo de frete e a janela de oferta limitada no Centro-Norte.
A abobrinha manteve preço médio de R$ 3,00/kg, com tendência de estabilidade após leve alta em setembro. Já o quiabo continua como o item mais volátil: variou entre R$ 7,00 e R$ 12,00/kg nos últimos dias.
No caso dos grãos, o arroz ainda sofre com a menor produção nacional, apontada no 1º Levantamento da Safra 2025/26, que prevê uma queda de cerca de 10% em relação à safra anterior. O feijão, por sua vez, apresentou estabilidade, entre R$ 280 e R$ 310 a saca de 60 kg, dependendo da variedade.

Araguaína

Em Araguaína, as variações acompanham o movimento de Palmas, mas com defasagem de alguns dias devido à dependência logística da capital. O quiabo registrou aumento pontual de 15% no fim da terceira semana de outubro, enquanto o milho-verde recuou levemente após entrada de carregamentos vindos de Goiás.
Para arroz e feijão, a cidade segue as médias nacionais, mas o custo de transporte tem pesado no preço final ao consumidor. Segundo análise do Boletim Hortigranjeiro de outubro/2025, o abastecimento da região é considerado estável, mas sujeito a oscilações conforme o clima no Centro-Oeste.

Gurupi

A cidade de Gurupi apresenta comportamento de preços similar ao do Centro-Sul do país, com reflexos diretos das variações registradas em São Paulo e Minas Gerais. A abobrinha apresentou leve queda na última semana, acompanhando o movimento das praças paulistas, e o milho-verde se manteve entre R$ 4,00 e R$ 6,00/kg, dependendo da qualidade.
O feijão tem mostrado tendência de estabilidade, enquanto o arroz começa a registrar leve alta, refletindo as preocupações do setor com a redução na produção nacional e o aumento dos custos de importação.


Paraíso do Tocantins

Na Ceasa de Paraíso do Tocantins, o quiabo e o milho-verde são os produtos mais sensíveis à variação climática. As chuvas recentes na região impactaram a oferta local e elevaram o preço médio do quiabo para R$ 10,00/kg.
A abobrinha, por outro lado, apresentou queda, cotada em média a R$ 2,70/kg, enquanto os grãos seguem estáveis. Especialistas da Conab destacam que a variação climática no Cerrado é um dos principais fatores que explicam a diferença entre os preços do Tocantins e das regiões Sul e Sudeste.

Colinas do Tocantins

Em Colinas do Tocantins, a oferta de hortifrúti é fortemente dependente das cargas vindas de Palmas e Araguaína. O milho-verde permanece no patamar de R$ 6,00/kg, enquanto o quiabo oscila acima de R$ 9,00/kg.
A abobrinha e o feijão seguem em estabilidade, com leve tendência de queda para a abobrinha nos próximos dias, conforme projeções da Conab.

Contexto nacional

Segundo a Conab, o comportamento dos preços nas Ceasas reflete três vetores principais: o clima, o custo de transporte e o calendário de safra. Produtos como o quiabo e o milho-verde têm comportamento mais volátil por causa da perecibilidade e das perdas logísticas. Já o arroz e o feijão dependem diretamente da produção e dos estoques reguladores, além das importações.

Serviço ao consumidor

O público pode acompanhar os preços atualizados diariamente no Painel Prohort da Conab, que reúne dados das Ceasas de todo o país, inclusive de Palmas. O painel permite selecionar o produto, a cidade e o intervalo de tempo, facilitando o acompanhamento de oscilações regionais.
Para produtores e atacadistas, o Boletim Hortigranjeiro mensal traz uma análise detalhada das causas das variações e das previsões de tendência para o mês seguinte.

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