Jogo de poder: os nomes que já se movem para tomar o governo do Tocantins em 2026

Jogo de poder: os nomes que já se movem para tomar o governo do Tocantins em 2026
Fernanda CappellessoPor Fernanda Cappellesso 28 de outubro de 2025 50

O cenário político do Tocantins começa a se redesenhar à medida que 2026 se aproxima. A disputa pelo Palácio Araguaia já mobiliza bastidores em Palmas e Brasília, com alianças, rupturas e articulações que atravessam prefeitos, deputados estaduais, senadores e partidos de peso.

Embora o governador Wanderlei Barbosa (Republicanos) ainda evite tratar publicamente da sucessão, o movimento nos bastidores indica que o xadrez eleitoral está montado. Lideranças da base e da oposição já testam narrativas, consolidam apoios e buscam presença em agendas regionais.

Quem está no jogo

Dorinha Seabra (União Brasil) desponta como uma das figuras mais competitivas do momento. Senadora com bom trânsito em Brasília e ligação direta com o ministro da Educação, Camilo Santana, Dorinha aparece bem posicionada nas pesquisas internas e tem forte apoio no eleitorado feminino e no segmento educacional. Sua estratégia é nacionalizar a imagem sem perder o vínculo regional — consolidando-se como nome de centro-direita moderada, capaz de dialogar com o governo federal sem romper com as bases locais.

Laurez Moreira (PSD), atual vice-governador, é um dos articuladores mais ativos. Após o rompimento com Wanderlei Barbosa, aproximou-se do senador Irajá Abreu e do grupo político da senadora Kátia Abreu. A ideia de Laurez é se apresentar como alternativa de “gestão técnica e municipalista”, reforçando a experiência administrativa e a rede de prefeitos que o apoiam desde a época em que comandou Gurupi.

Amélio Cayres (Republicanos), presidente da Assembleia Legislativa, representa o grupo governista que tenta manter o comando do Palácio. Ele é o principal nome cogitado dentro da base de Wanderlei para a sucessão, e trabalha para consolidar apoio de deputados estaduais e lideranças do interior. O grupo aposta na máquina pública e na visibilidade institucional para garantir continuidade administrativa.

Ataídes Oliveira (DC) busca reposicionar-se após anos fora do núcleo de decisão. O empresário e ex-senador mira o eleitorado conservador e tenta reconstruir pontes com partidos menores, mirando o desgaste de alianças antigas.

O Partido dos Trabalhadores (PT-TO) deve apresentar candidatura própria, ainda sem nome definido. O diretório estadual aposta na força do governo federal e na estratégia de reforçar o discurso social e ambiental no bioma Cerrado. O movimento tem aval do Planalto, que enxerga o Tocantins como espaço possível de avanço no Norte.

Nos bastidores, também circulam sondagens sobre Vicentinho Júnior (Progressistas) e Alexandre Guimarães (MDB), ambos com influência consolidada nas bancadas federais e redes municipais. Nenhum confirma candidatura, mas ambos ampliam presença em agendas públicas e regionais.

As pressões de Brasília

O jogo estadual é atravessado por articulações federais. Ministérios, partidos e lideranças do Congresso interferem diretamente na montagem das alianças. A senadora Dorinha conta com apoio em frentes do União Brasil; Laurez tenta se firmar como opção da Frente Municipalista; e o PT articula presença ministerial no estado para preparar terreno.

A bancada federal também é peça decisiva: os deputados buscam manter influência sobre o orçamento e as emendas, o que torna a aliança com eles essencial para qualquer pré-candidato.

O papel das bases e o G5 da Aleto

 O chamado “G5” — grupo informal de prefeitos independentes — tem funcionado como fiel da balança nas votações que envolvem o governo. Esse núcleo pode definir o rumo das alianças regionais, especialmente nas cidades médias do norte e do sudeste do estado.

Nos municípios, prefeitos de Araguaína, Gurupi, Porto Nacional e Paraíso já testam posicionamentos públicos e avaliam alinhamentos futuros. O mapa eleitoral do Tocantins segue fortemente interiorizado: quem dominar a rede de prefeituras tende a chegar com vantagem à disputa majoritária.

O clima pré-eleitoral

Nenhum dos nomes confirmará candidatura oficialmente antes de 2025, mas todos já trabalham por visibilidade, articulação partidária e espaço orçamentário. A polarização nacional deve ter reflexos locais, com o bolsonarismo tentando manter presença e o campo governista federal tentando expandir influência no Norte.

O discurso da “renovação sem ruptura” deve dominar as campanhas — promessa de eficiência administrativa sem afastar os apoios federais.

O Tocantins entra em 2026 com um xadrez de poder em formação. A disputa combina projetos locais e influências nacionais. Nos bastidores, a leitura é clara: ninguém confirma candidatura, mas todos já montaram seus palanques.

O eleitorado tocantinense, historicamente pragmático, observará a capacidade de articulação, a entrega de recursos e o peso das alianças no interior. O jogo começou, e o Palácio Araguaia volta a ser o epicentro de uma das disputas mais estratégicas do Norte do país.

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