Quarto pedido de impeachment contra Wanderlei Barbosa é protocolado: “O povo do Tocantins não pode aceitar tamanha impunidade”, diz jornalista
A crise política no Tocantins ganhou um novo capítulo nesta terça-feira (28) com o protocolo do quarto pedido de impeachment contra o governador afastado Wanderlei Barbosa (Republicanos).
O pedido foi apresentado pelo jornalista e morador de Palmas Antônio Carlos Fernandes Guimarães, conhecido como Antônio Guimarães, e registrado no setor de protocolo da Assembleia Legislativa do Tocantins (Aleto) na manhã de ontem.
O documento deve agora ser encaminhado à Mesa Diretora da Casa para análise preliminar, conforme o regimento interno. O caso reacende o debate sobre a crise de governabilidade que atinge o Executivo estadual desde o afastamento do governador pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no âmbito da Operação Fames-19.
Quarto pedido e acusações persistentes
Este é o quarto pedido de impeachment apresentado desde o início das apurações sobre o caso Fames-19, que investiga supostas fraudes e superfaturamento em contratos de compra de cestas básicas e frangos congelados durante a pandemia da Covid-19.
O último pedido havia sido protocolado em 16 de outubro pelo advogado Paulo Roberto da Silva, de Araguaína. Agora, o jornalista Antônio Guimarães afirma que sua iniciativa tem caráter cívico e moral:
“O pedido de impeachment é um instrumento legítimo de defesa da moralidade pública. O povo do Tocantins não pode aceitar que o chefe do Executivo, mesmo afastado, continue envolvido em denúncias que fragilizam a imagem do Estado”, declarou o jornalista ao Diário Tocantinense.
A Aleto ainda não divulgou detalhes sobre o andamento do novo pedido nem sobre a posição da Mesa Diretora em relação à admissibilidade do processo.
Operação Fames-19 e desdobramentos políticos
A Operação Fames-19, conduzida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), investiga contratos emergenciais firmados pelo governo tocantinense durante a pandemia.
As apurações indicam irregularidades na compra e distribuição de alimentos para programas sociais e já resultaram em ações de busca e apreensão, oitivas de servidores e bloqueio de bens de empresários ligados às contratações.
O afastamento de Wanderlei Barbosa, determinado pelo STJ, abriu uma crise institucional no Estado, ampliando tensões dentro da base governista e provocando movimentações entre partidos interessados em ocupar o vácuo político.
Segundo fontes ouvidas pelo Diário Tocantinense, o governo interino enfrenta pressões crescentes por transparência e estabilidade, enquanto aliados de Wanderlei tentam articular sua defesa junto ao Supremo Tribunal Federal (STF).
Com o novo pedido de impeachment, o Tocantins vive uma escalada de instabilidade política sem precedentes desde 2018, quando o Estado enfrentou a cassação do então governador Marcelo Miranda.
A sucessão de denúncias e protocolos indica que a crise ultrapassa o campo jurídico e se consolida como um impasse moral e institucional, com impactos diretos sobre a credibilidade do governo e a governabilidade da máquina pública.
O desfecho dependerá agora da postura da Assembleia Legislativa, que se vê pressionada por movimentos da sociedade civil, pelo Ministério Público e por grupos políticos que já disputam espaço na corrida eleitoral de 2026.
Entenda o caso
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Operação Fames-19: investiga supostas fraudes na compra de cestas básicas e frangos congelados durante a pandemia.
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Afastamento: Wanderlei Barbosa foi afastado do cargo por decisão do STJ.
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Pedidos anteriores: quatro pedidos de impeachment foram protocolados desde o início das investigações.
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Próximos passos: a Aleto decidirá se o novo pedido será admitido ou arquivado.