Petróleo e oscilação de preços: por que o Brasil paga tão caro pelo combustível?

Petróleo e oscilação de preços: por que o Brasil paga tão caro pelo combustível?
Preço da gasolina no Tocantins supera o de Goiás e não deve cair, diz setor
Fernanda CappellessoPor Fernanda Cappellesso 5 de novembro de 2025 6

O Brasil está entre os dez maiores produtores de petróleo do mundo. Ainda assim, o preço dos combustíveis no país segue entre os mais altos da América Latina — e não raramente acima da média global em períodos de crise. Para entender esse paradoxo, economistas apontam três fatores centrais: o mercado internacional, a política de paridade de preços e a carga tributária nacional.

O primeiro elemento que influencia o preço dos combustíveis no Brasil é o valor do petróleo no mercado internacional, definido em grande parte pela cotação do barril do tipo Brent. Mesmo com produção nacional equivalente à demanda interna, o Brasil está inserido no mercado global, o que significa que qualquer oscilação internacional — causada por conflitos, decisões da Opep, crises logísticas ou flutuações do dólar — se reflete diretamente no valor final da gasolina e do diesel.

A partir de 2016, durante o governo Michel Temer, a Petrobras adotou a chamada Política de Paridade de Importação (PPI), que vincula o preço dos combustíveis no Brasil às cotações internacionais e ao câmbio. A lógica: mesmo produzindo internamente, o país segue a referência internacional para evitar distorções e garantir competitividade no mercado global. A medida abriu espaço para flutuações mais rápidas e frequentes nos postos, sobretudo em cenários de instabilidade econômica.

A questão se torna mais complexa quando somamos os impostos. A gasolina brasileira tem camadas de tributação federais (Cide, PIS/Cofins) e estaduais (ICMS), que chegam a representar até um terço do valor final nas bombas, dependendo do estado. Embora impostos tenham sofrido alterações nos últimos anos, especialmente durante a crise pós-pandemia e às vésperas das eleições de 2022, a base estrutural da carga tributária permanece pesada. Em muitos municípios, o ICMS sozinho ultrapassa os 20%.

Outro ponto importante é a capacidade de refino. O Brasil exporta petróleo bruto, mas ainda importa parte dos combustíveis refinados por falta de capacidade industrial plena — um gargalo histórico que mantém a dependência externa. Especialistas defendem que ampliar o refino nacional poderia reduzir a exposição do país ao câmbio e às cotações externas.

No meio desse cenário, o consumidor segue arcando com oscilações que vão além da produção: são variações geopolíticas, decisões de mercado, dólar instável e tributos acumulados. A pergunta que segue é: em um país com reservas expressivas, quando a política energética se tornará mais alinhada ao interesse do consumo interno?

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