Saúde em alerta: entenda o que causa a queda do ácido úrico e o que ela revela sobre o corpo

Saúde em alerta: entenda o que causa a queda do ácido úrico e o que ela revela sobre o corpo
Fernanda CappellessoPor Fernanda Cappellesso 6 de novembro de 2025 4

Ao contrário do que muita gente pensa, o ácido úrico não é apenas um “vilão” associado à gota e ao excesso de proteínas na dieta. Quando seus níveis estão abaixo do normal no sangue, o quadro também merece atenção, já que pode indicar desde deficiências nutricionais até doenças graves relacionadas ao fígado, aos rins ou ao sistema metabólico.

O que é o ácido úrico?

O ácido úrico é uma substância produzida naturalmente pelo corpo a partir da quebra de purinas — compostos encontrados em alimentos como carnes vermelhas, frutos do mar, vísceras, leguminosas e bebidas alcoólicas. Ele é filtrado pelos rins e normalmente eliminado pela urina. Seus níveis são medidos por exame de sangue e, eventualmente, exame de urina.

Os valores de referência variam entre laboratórios, mas em geral, considera-se baixo quando está abaixo de:

  • 2,0 mg/dL para mulheres

  • 3,0 mg/dL para homens

Possíveis causas do ácido úrico baixo

Especialistas apontam que a queda acentuada dessa substância no organismo pode estar associada a seis principais fatores:

  1. Deficiência de zinco ou proteínas
    Dietas pobres em proteínas ou micronutrientes como zinco e vitamina B12 podem afetar o metabolismo das purinas, reduzindo a produção de ácido úrico.

  2. Doenças hepáticas
    O fígado é fundamental no processamento dos compostos que originam o ácido úrico. Doenças como hepatite, cirrose e insuficiência hepática podem levar à queda dos níveis.

  3. Uso contínuo de medicamentos
    Remédios diuréticos, alopurinol (usado para tratar gota) e alguns fármacos para tratamento de câncer podem reduzir a produção ou acelerar a excreção.

  4. Alterações renais
    Excesso de filtração ou disfunções da reciclagem renal podem aumentar a eliminação do ácido úrico de forma anormal.

  5. Doenças metabólicas e genéticas
    A síndrome de Fanconi e a doença de Wilson, por exemplo, afetam a regulação metabólica e estão ligadas a casos de hipouricemia (níveis muito baixos de ácido úrico).

  6. Prática esportiva intensa e desidratação crônica
    Em atletas ou pessoas submetidas a extremo esforço físico sem adequada reposição de líquidos, pode haver queda transitória, mas isso não costuma representar risco clínico grave.

Sinais de alerta e quando procurar ajuda

Embora a hipouricemia (ácido úrico baixo) possa ser assintomática, há relatos de:

  • Fraqueza muscular

  • Queda de imunidade

  • Arritmias cardíacas

  • Alterações hormonais

  • Fadiga persistente

  • Dores musculares e articulares leves

Quando os níveis estão persistentemente baixos, é recomendável investigação clínica, com exames complementares de função hepática, renal, vitamínica e hemograma completo.


Como tratar ou prevenir?

O tratamento não é único: depende da causa. Em geral, inclui:

  • Reforço alimentar com proteínas magras e alimentos ricos em zinco e ferro (como ovos, nozes, carnes brancas, leguminosas)

  • Hidratação adequada

  • Revisão de medicamentos com acompanhamento médico

  • Exames regulares de função hepatorrenal


Entrevista sugerida

“Apesar de a maioria das pessoas ouvir falar do ácido úrico como problema ligado ao excesso, níveis baixos também devem ser investigados. Eles podem sinalizar desde dietas restritivas até doenças hepáticas sérias”, explica o reumatologista Dr. Henrique Alvim.

A recomendação médica é sempre a mesma: não se automedicar, não fazer restrições alimentares sem orientação e realizar check-ups periódicos.

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