CONAB: preços da alface, abóbora, quiabo, arroz e feijão oscilam nas principais Ceasas do país; hortaliças puxam alta enquanto grãos seguem estáveis
CONAB: preços da alface, abóbora, quiabo, arroz e feijão oscilam nas principais Ceasas do país; hortaliças puxam alta enquanto grãos seguem estáveis
O boletim mais recente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) mostra comportamentos distintos entre hortaliças e grãos no atacado das principais Centrais de Abastecimento do país. A análise dos últimos 90 dias revela alta expressiva em produtos altamente perecíveis, como alface, quiabo e abóbora, enquanto itens essenciais da cesta básica, como arroz e feijão, registraram variações moderadas e maior estabilidade.
Os dados foram extraídos do painel Prohort, plataforma oficial da Conab atualizada diariamente.
Alta nas hortaliças: alface e quiabo lideram a variação
A alface teve elevação significativa de preços no atacado, especialmente em unidades da CEAGESP no interior paulista. Há registros de aumentos superiores a 60% no período, com valores que saltaram de cerca de R$ 26,00 para patamares acima de R$ 40,00 em algumas praças. A explicação envolve fatores climáticos, redução de oferta e custos de transporte.
O quiabo também apresentou forte oscilação, com elevação contínua nas Ceasas do Sudeste e Nordeste. A queda de produtividade em áreas produtoras de Minas Gerais e Goiás contribuiu para o encarecimento do produto.
No caso da abóbora, o comportamento foi alternado, porém com tendência final de alta em sistemas regionais de abastecimento, principalmente pela redução de oferta em setembro e outubro.
Grãos mantêm estabilidade, mas sinal de pressão permanece
O feijão, nas variedades carioca e preto, teve pequenas oscilações, sem picos expressivos. O estoque regulador e a oferta interna ajudaram a manter o mercado estável, embora atacadistas alertem que o início de 2026 pode registrar pressão de preço caso as exportações ganhem ritmo.
O arroz permanece estável após o impacto das enchentes no Rio Grande do Sul, mas ainda acima da média histórica. A reposição de estoques e o cenário climático continuam no radar de produtores.
Economistas destacam que a estabilidade dos grãos é relativa: tanto arroz quanto feijão dependem de logística e safra regular, o que pode modificar o quadro com a chegada do verão.
O que dizem os analistas
Técnicos em abastecimento afirmam que produtos de ciclo curto, como hortaliças, respondem de forma imediata a qualquer desequilíbrio climático ou logístico, o que justifica aumentos rápidos. Já grãos, por terem safra maior, armazenagem industrial e política de estoques, apresentam variações mais lentas — embora não estejam livres de reajustes.
Há expectativa de que os próximos boletins da Conab registrem novos impactos da transição climática de novembro para dezembro, especialmente diante da previsão de chuvas irregulares no Centro-Oeste e Sudeste.