PSB de Carlos Amastha aciona STF, STJ, MPF e PF e pede prisão de Wanderlei Barbosa por descumprir medidas da Operação FAMES-19

Partido denuncia articulações políticas do governador afastado com deputados investigados e pede medidas mais duras: “Há risco real à aplicação da lei penal”
Palmas (TO) | Diário Tocantinense — O PSB do Tocantins, presidido por Carlos Amastha, acionou oficialmente o Supremo Tribunal Federal (STF), o Superior Tribunal de Justiça (STJ), o Ministério Público Federal (MPF) e a Polícia Federal (PF) pedindo a prisão preventiva do governador afastado Wanderlei Barbosa (Republicanos).
A denúncia, assinada pelos advogados Márlon Reis e Rafael Estorilio, sustenta que Wanderlei está descumprindo medidas impostas pela Operação FAMES-19, deflagrada pela Polícia Federal, que investiga desvios superiores a R$ 73 milhões em contratos públicos.
Segundo o documento, mesmo afastado por ordem judicial, Wanderlei continua articulando politicamente e recebendo deputados investigados em sua residência, o que configuraria obstrução de justiça e afronta direta à decisão do STJ.
Deputados “julgadores” e investigados
O PSB aponta o que chama de “anomalia jurídica e moral”: os mesmos deputados investigados pela FAMES-19 estão julgando o impeachment do governador afastado. O texto cita o artigo 160 do Regimento Interno da Assembleia, que proíbe parlamentares de atuar em processos nos quais tenham interesse direto — regra ignorada pelos envolvidos.
O partido menciona inclusive visitas e fotos públicas de parlamentares com Wanderlei Barbosa, como Ivory de Lira, Léo Barbosa e Cláudia Lelis.Em uma das publicações, Cláudia Lelis aparece ao lado do governador afastado com a legenda:“Manhã hoje com nosso líder, nosso governador Wanderlei Barbosa… Tamo junto!”
Para os advogados, trata-se de uma “confissão pública de parcialidade” e de “aliança entre julgadores e réu”.
Pedido de prisão preventiva
O PSB pede que o MPF e o STJ adotem “medidas de maior força”, incluindo prisão preventiva de Wanderlei Barbosa, sob argumento de que o afastamento judicial está sendo desrespeitado.“Há risco concreto de combinação de versões, destruição de provas e influência sobre testemunhas”, diz o documento encaminhado ao STJ.
Crise política no Tocantins
A denúncia reacende a crise política que paralisa o estado desde a deflagração da FAMES-19.
Na Assembleia, deputados investigados ocupam cargos estratégicos na Mesa Diretora e resistem a dar andamento ao processo de impeachment, o que o PSB classifica como “manobra de blindagem”.
O pedido do PSB aumenta a pressão sobre o STJ e o MPF, e se acolhido, poderá alterar o rumo da crise e expor um pacto de impunidade entre Executivo e Legislativo.
O Diário Tocantinense deixa espaço aberto para manifestação do governador afastado Wanderlei Barbosa, dos deputados citados e da Assembleia Legislativa do Tocantins.