Portelinhando Crônicas | “Crônica de um Sonho Desafiador — O Mundo sem Dólares”

Portelinhando Crônicas | “Crônica de um Sonho Desafiador — O Mundo sem Dólares”
João PortelinhaPor João Portelinha 11 de novembro de 2025 11
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Por João Portelinha da Silva

Há quem diga que o mundo gira em torno do Sol. Pode ser. Mas, há muito tempo, ele também gira em torno do dólar — esse pequeno pedaço de papel verde que dita destinos, derruba governos e financia sonhos que nem sempre são nossos.

Durante décadas, o dólar foi o idioma universal do comércio, a senha para entrar no mercado global. Quem o possuía tinha poder; quem não o tinha, devia. E assim o planeta se acostumou a negociar não apenas produtos, mas soberania.

Mas eis que, aos poucos, começam a soprar ventos de rebeldia. Na Ásia, a China fala em yuan; na América do Sul, o Brasil ensaia trocas em reais e pesos; os BRICS discutem moedas próprias, e até a Arábia Saudita, que sempre vendeu petróleo em dólares, começa a piscar o olho para novas alianças. O império da moeda americana sente um leve tremor sob os pés.

Romper com o dólar, porém, é mais do que uma questão econômica — é um ato de coragem política. Porque abandonar o dólar é como deixar uma língua que todos entendem para falar um novo dialeto que ninguém domina. É desafiar o costume, o medo e o poder disfarçados de “estabilidade financeira”.

Um mundo sem dólar talvez fosse um planeta de trocas mais livres, mais justas — onde cada nação pudesse negociar com o valor de seu próprio trabalho, sem conversões humilhantes ou taxas impostas por quem imprime o papel. Seria um mundo onde o dinheiro deixaria de ser passaporte de privilégio e voltaria a ser o que deveria: um simples instrumento de troca.

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