Saúde: Por que tantos jovens estão tomando remédio para pressão? Especialistas alertam para aumento preocupante
O número de jovens brasileiros diagnosticados com hipertensão arterial deixou de ser exceção e parece ganhar contornos de tendência. Cardiologistas e especialistas em saúde pública relatam que consultórios e ambulatórios recebem cada vez mais pacientes entre 18 e 35 anos com pressão elevada e já iniciando tratamento farmacológico.
Embora a hipertensão tenha sido historicamente associada ao envelhecimento, os médicos afirmam que mudanças no estilo de vida — sedentarismo, dieta rica em sódio, excesso de telas, privação de sono e sobrecarga emocional — estão antecipando diagnósticos.
Estilo de vida digital, sono irregular e ansiedade sustentada
O cardiologista Dr. Roberto Kalil Filho, diretor do Incor, já afirmou em entrevistas ao Fantástico e à Folha de S.Pauloque os hábitos contemporâneos criaram um “ambiente propício” para doenças cardiovasculares mais cedo. Segundo ele, a tríade sono ruim, estresse crônico e sedentarismo coloca jovens em um ciclo de risco contínuo.
A médica nutróloga e cardiologista Dra. Ludhmila Hajjar, em entrevista ao Jornal Nacional, reforça que o excesso de telas está diretamente relacionado a alterações no ritmo circadiano, piora do sono e ativação prolongada de hormônios que elevam a pressão.
O cardiologista e professor da USP Dr. Daniel Magnoni, em entrevista ao Bem Estar, destaca que jovens estão consumindo níveis de sódio muito acima do recomendado — principalmente por fast-food, embutidos, snacks e refeições prontas. Segundo ele, a dieta atual “é perfeita para desenvolver hipertensão precoce”.
O aumento do sedentarismo aparece como um dos principais gatilhos
O cardiologista esportivo Dr. Nabil Ghorayeb, referência na Sociedade Brasileira de Cardiologia, afirmou em entrevistas ao Globo Esporte que adolescentes e jovens adultos estão se movimentando menos do que qualquer geração anterior, e isso altera diretamente o controle da pressão arterial.
A cardiologista Dra. Ana Clara Tude, em entrevistas para veículos do grupo Globo, explica que longos períodos sentados reduzem o gasto energético diário, elevam o peso corporal e comprometem o sistema cardiovascular.
Medicalização precoce preocupa: “o remédio não corrige o estilo de vida”
O cardiologista Dr. César Jardim, do Hospital do Coração (HCor), já alertou em entrevistas ao G1 e ao Estadão que cresce o número de pacientes jovens que procuram o consultório após já terem iniciado anti-hipertensivos. Ele afirma que a medicalização precoce “não é o problema em si”, mas revela que muitos jovens pulam etapas fundamentais como:
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reorganizar rotina de sono,
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reduzir o consumo de ultraprocessados,
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abandonar o sedentarismo,
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e controlar estresse e ansiedade.
O risco, segundo ele, é que a medicação ofereça uma falsa sensação de resolução, enquanto os fatores de base continuam ativos.
A cardiologista Dra. Juliana Amaral, entrevistada pela Folha, afirma que em muitos casos a hipertensão em jovens “não deveria ser medicada imediatamente”, mas monitorada em conjunto com mudança de hábitos. Ela destaca que há pacientes que normalizam a pressão em poucas semanas apenas com ajustes na rotina.
Predisposição genética existe — mas não explica o aumento sozinha
Especialistas reforçam que histórico familiar é um componente importante, mas não atua isoladamente.
O cardiologista e pesquisador Dr. Marcelo Katz, do Hospital Israelita Albert Einstein, explicou em entrevista ao Globoque a genética “abre a porta”, mas o ambiente moderno — alimentação ultraprocessada, excesso de trabalho mental, demanda social alta e sedentarismo — “empurra o jovem para dentro do risco”.
Obesidade e ganho de peso acelerado são marcadores centrais
O pediatra e hebiatra Dr. Maurício Sesso, entrevistado pelo Fantástico, alerta que adolescentes estão chegando à idade adulta com índices de sobrepeso muito superiores aos registrados há duas décadas. Ele afirma que o acúmulo de gordura abdominal é um dos fatores que mais alteram a pressão arterial antes dos 30 anos.
O que fazer? Especialistas apontam caminhos
Os médicos consultados por diversos veículos convergem em quatro pontos:
1. Mudar a alimentação
Cortar:
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ultraprocessados,
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embutidos,
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fast-food,
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alimentos com muito sal.
Incluir:
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frutas,
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hortaliças,
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grãos integrais,
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proteínas magras.
2. Dormir melhor
A meta é 7 a 9 horas contínuas por noite, com horários regulares.
3. Sair do sedentarismo
150 minutos de atividade moderada por semana — caminhada, bike, natação, musculação — já reduzem a pressão.
4. Controlar estresse e ansiedade
Técnicas de respiração, meditação, pausas programadas e acompanhamento psicológico entram como ferramentas essenciais.
A pressão alta virou um alerta sobre o modo de vida
O crescimento da hipertensão entre jovens não é um fenômeno isolado, mas o reflexo de uma rotina profundamente afetada por:
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cargas mentais intensas,
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excesso de telas,
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sono irregular,
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comida rápida e hiperprocessada,
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pouca atividade física,
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e ansiedade constante.
Os médicos reforçam que, embora o remédio tenha papel importante, nenhuma medicação substitui um estilo de vida que proteja o coração.
E o aumento dos diagnósticos antes dos 30 anos acende um alerta para toda a sociedade.