China adia investigação sobre importação de carne bovina e mantém setor em alerta

China adia investigação sobre importação de carne bovina e mantém setor em alerta
Fernanda CappellessoPor Fernanda Cappellesso 27 de novembro de 2025 7

A China prorrogou, pela segunda vez, o prazo de conclusão da investigação que avalia a necessidade de medidas de salvaguarda sobre a importação de carne bovina. A análise, conduzida pelo Ministério do Comércio chinês, agora tem nova data-limite: 26 de janeiro de 2026. O governo justificou a decisão citando a “complexidade do caso”, o que mantém produtores e exportadores em um ambiente de incerteza prolongada.

A investigação foi aberta em dezembro de 2024 e já havia sido estendida de agosto para novembro deste ano. O processo mira o crescimento das compras externas de carne bovina pela China e busca determinar se o volume atual pressiona a indústria doméstica chinesa, podendo resultar em cotas, sobretaxas ou outras barreiras. A indefinição mantém o comércio internacional sob tensão, especialmente entre os principais exportadores — Brasil, Argentina, Uruguai e Austrália.

A relevância chinesa no mercado global explica o alerta. Em 2024, o país importou 2,87 milhões de toneladas de carne bovina. Entre janeiro e outubro de 2025, as compras somaram 2,34 milhões de toneladas, alta de 3,6% em relação ao mesmo período do ano anterior. A demanda chinesa tem funcionado como principal sustentação dos preços internacionais.

No Brasil, a apreensão é imediata. O país lidera o ranking de exportadores para a China e acompanha cada movimento regulatório vindo de Pequim. As indústrias aguardam manifestações oficiais do governo chinês, enquanto especialistas frisam que qualquer mudança pode alterar o equilíbrio de preços domésticos. A carne bovina brasileira chega ao mercado internacional com competitividade elevada, mas depende fortemente da estabilidade desse canal.

No Tocantins, o cenário é ainda mais sensível. A China respondeu por 58% das exportações de carne bovina do estado no primeiro trimestre de 2025. No período, foram embarcados 26,5 milhões de quilos, consolidando a projeção do Tocantins no mercado asiático. A extensão da investigação faz com que o setor redobre a atenção aos possíveis desdobramentos.

O presidente da Novilho Precoce Tocantins, Fernando Penteado, afirma que a medida mantém o mercado em “compasso de espera”. Ele destaca que a manutenção do fluxo de exportações ao país asiático impediu quedas mais acentuadas nos preços internos em 2025. Segundo ele, “a China é o maior comprador de carne do Brasil e este volume exportado tem permitido que os preços se mantenham em patamares razoáveis. Caso não tivéssemos esse desempenho, o mercado interno não teria absorvido a oferta e os preços cairiam”.

A prorrogação até 2026 oferece algum alívio imediato para a cadeia produtiva, que ganha tempo enquanto o governo chinês reúne informações e define os próximos passos. No entanto, a preocupação permanece. O setor trabalha com a possibilidade de novas revisões, e frigoríficos ajustam estratégias para lidar com um início de ano marcado por volatilidade e vigilância permanente.

Para os produtores tocantinenses, o recado é claro: o ritmo da exportação — e, por consequência, dos preços pagos no campo — dependerá diretamente do desfecho em Pequim. Até lá, o mercado opera sem pressão imediata, mas sob olhar atento às decisões que marcarão 2026.

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