O desânimo no Brasil explode em 2025 e metade do país afirma que a vida piora segundo nova pesquisa

O desânimo no Brasil explode em 2025 e metade do país afirma que a vida piora segundo nova pesquisa
Brasileiros caminham no centro de uma grande cidade em meio ao clima de desânimo identificado pela pesquisa nacional da Hibou, que aponta piora na rotina, nas contas e na segurança em 2025.
Fernanda CappellessoPor Fernanda Cappellesso 1 de dezembro de 2025 17

O desânimo no Brasil aparece como marca central de 2025, com metade da população afirmando que a vida ficou mais difícil segundo nova pesquisa nacional.

Uma pesquisa da Hibou, com 1.433 entrevistados, revela que o desânimo atravessa classes sociais, regiões e faixas etárias. O ano começa com pressão financeira, insegurança, instabilidade no trabalho presencial e desgaste político. A sensação de piora se espalha por temas essenciais como saúde, segurança, alimentação e custos básicos do cotidiano.

Desânimo cresce com o retorno ao trabalho presencial

O retorno ao trabalho presencial é um vetor direto do desânimo. Para 50% dos entrevistados, a redução do home office piora a vida do trabalhador. Entre jovens de 16 a 34 anos, o índice chega a 63%. O recorte etário mostra que flexibilidade e tempo são elementos estruturais da qualidade de vida para a geração mais jovem. Apenas 21% afirmam que o presencial melhora a rotina, com predominância entre brasileiros acima de 45 anos.

Desânimo aumenta diante da piora na saúde e na segurança

A percepção negativa sobre o atendimento de saúde reforça o desânimo. Segundo o levantamento, 52% dos brasileiros estão insatisfeitos com a rede pública e privada. Os principais motivos são alta nos preços dos planos, longos prazos para marcação de consultas e tempo de espera elevado para atendimentos especializados. Apenas 17% relatam satisfação.

Na segurança pública, 56% afirmam que a situação piorou, sendo 39% que apontam deterioração intensa. Apenas 14% veem algum avanço. A combinação entre violência urbana, lentidão na resposta estatal e pressão econômica contribui para o sentimento de vulnerabilidade.

Desânimo político domina o país mesmo após episódios de impacto nacional

A prisão de Jair Bolsonaro após adulteração da tornozeleira eletrônica, um dos fatos mais comentados do início do ano, não altera a visão política da maioria. Para 49% dos entrevistados, o episódio não muda nada na percepção sobre o país. Outros 16% relatam piora e 11% dizem que o caso melhora a avaliação. Entre os mais velhos, 24% afirmam que a situação reduz a confiança nas instituições; entre jovens, 13% relatam melhora da percepção.

Segundo Lígia Mello, CSO da Hibou, o comportamento indica fadiga prolongada. A sucessão de crises e conflitos políticos produz um ambiente de desânimo contínuo.

Desânimo financeiro cresce apesar da desaceleração da inflação oficial

Mesmo com a inflação em queda no índice agregado, o orçamento das famílias segue sob pressão. A pesquisa mostra que 45% dos brasileiros estão com contas atrasadas, enquanto 35% pagam tudo, mas com dificuldade. Apenas 17% afirmam que o mês fecha sem aperto.

No supermercado, 52% dizem que os preços subiram muito nos últimos meses e 26% notam alta moderada. Apenas 12% percebem queda. Na conta de luz, 37% afirmam que houve aumento significativo e 36% registram alta moderada. O impacto direto em alimentação e energia reforça o desânimo financeiro das famílias.

Tecnologia divide gerações e revela receio sobre novos custos

A inteligência artificial facilita a rotina para 47% dos entrevistados, mas 18% dizem que a tecnologia complica o dia a dia. Entre jovens de 16 a 34 anos, 24% afirmam que a IA facilita muito suas atividades. Já entre os mais velhos, cresce o número de pessoas que não sabem avaliar.

A possível adoção de regras semelhantes às dos Estados Unidos, que restringem reparos fora de assistências autorizadas, desperta preocupação. Para 59% dos brasileiros, a mudança encareceria consertos. Outros 21% acreditam que seriam forçados a trocar aparelhos com mais frequência.

Mudanças climáticas preocupam, mas COP30 não reduz o desânimo ambiental

O impacto das mudanças climáticas é reconhecido por 88% dos brasileiros, que relacionam eventos extremos como temporais e alagamentos ao aquecimento global. No entanto, a COP30 não gera expectativa positiva. Apenas 18% acreditam que o evento trará benefícios ao Brasil, 36% esperam nenhum efeito e 26% afirmam que a conferência pode até piorar a imagem do país. O distanciamento entre agendas internacionais e a vida cotidiana reforça o desânimo ambiental.

Sobre a Hibou

A Hibou atua há mais de 15 anos em pesquisas de mercado e comportamento, combinando metodologias qualitativas, quantitativas e ferramentas proprietárias. A empresa desenvolve estudos de hábitos de consumo, presença de marca, testes de produto, monitoramento de tendências e análises de setor com profissionais com mais de 25 anos de experiência.

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