Bastidores em Palmas: recuo silencioso do SOMOS expõe ruídos na base de Eduardo Siqueira Campos após queda de Laurez

Bastidores em Palmas: recuo silencioso do SOMOS expõe ruídos na base de Eduardo Siqueira Campos após queda de Laurez
Crédito: Divulgação
Ricardo Fernandes AlmeidaPor Ricardo Fernandes Almeida 8 de dezembro de 2025 150

Nos corredores da política palmense, o clima é daqueles que lembram novela longa: ninguém assume rompimento, ninguém confirma realinhamento, mas os movimentos — especialmente os silenciosos — dizem mais do que discursos públicos. Um desses movimentos envolve o coletivo SOMOS e sua relação com o prefeito de Palmas, Eduardo Siqueira Campos.

Apesar de integrar formalmente a estrutura da gestão municipal, com espaço garantido por meio de secretaria e apoio manifestado no início do mandato, o SOMOS ensaiou uma discreta distanciada do núcleo político do Paço Municipal. Nada declarado, nada oficial — apenas sinais.

O ponto de inflexão ocorreu quando a vereadora Thamires, uma das principais lideranças do grupo, fechou acordo com o então governador interino Laurez Moreira para assumir a Secretaria Estadual de Igualdade Racial. Nos bastidores, o gesto foi lido como mais do que uma nomeação técnica: soou como sinal de alinhamento com o novo comando estadual e, ao mesmo tempo, como início de uma debandada gradual do eixo político ligado à senadora Dorinha Seabra.

A leitura política era simples: caso Laurez se consolidasse no cargo, o movimento abriria espaço para uma reconstrução de alianças, afastando o SOMOS do campo de Eduardo Siqueira Campos — figura historicamente associada à senadora Dorinha. O problema é que o roteiro foi reescrito antes mesmo do primeiro capítulo se consolidar.

Com a saída antecipada de Laurez do Palácio Araguaia, o acordo não ganhou tempo nem musculatura política suficiente para produzir efeitos práticos. O que parecia cálculo estratégico virou, rapidamente, embaraço institucional.

Hoje, o SOMOS vive um cenário descrito por um experiente analista político, colaborador da página, como “o pior lugar da política”: saiu sem anunciar que saiu e agora pode ter que voltar sem anunciar que voltou. Segundo ele, o constrangimento interno é maior que promessa de campanha feita em comício lotado — todo mundo vê, mas ninguém quer lembrar.

Nos bastidores da prefeitura de Palmas, o distanciamento foi notado. E, embora não haja retaliações públicas nem movimentos explícitos de ruptura, o silêncio passou a incomodar mais do que uma crítica aberta. Em política, ausência também comunica.

O episódio evidencia como apostas feitas em cenários provisórios costumam cobrar preço alto quando o tabuleiro muda rápido demais. Em Palmas, a lição parece clara: movimentos silenciosos podem até funcionar, desde que o roteiro não mude no meio da cena.

Enquanto isso, o SOMOS aguarda os próximos capítulos — agora com menos margem para erro e mais holofotes do que gostaria.

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