Petrobras cortou preços, mas combustível segue caro no Tocantins; entenda onde o dinheiro fica
Pesquisas oficiais divulgadas neste mês mostram que o preço da gasolina, do diesel e do etanol segue elevado no Tocantins, apesar das reduções acumuladas promovidas pela Petrobras desde 2023. O cruzamento dos dados revela que a diferença entre o valor na refinaria e o preço final pago pelo consumidor está concentrada, sobretudo, na carga tributária estadual e nas margens de distribuição e revenda.
Quanto a Petrobras já reduziu
Desde 2023, quando a estatal abandonou a política de paridade automática com o mercado internacional, a Petrobras realizou cortes sucessivos nos combustíveis:
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Gasolina: redução acumulada de aproximadamente R$ 0,78 por litro nas refinarias desde 2023
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Diesel: redução acumulada superior a R$ 1,70 por litro no mesmo período
Esses cortes foram feitos em etapas, com o objetivo de amortecer choques externos e evitar repasses automáticos do dólar e do barril de petróleo ao consumidor brasileiro.
Mesmo com essas reduções, o preço médio da gasolina no Tocantins permanece acima da média nacional, e o diesel segue pressionando custos do transporte e da produção.
O peso dos impostos no Tocantins
No Tocantins, assim como nos demais estados, o ICMS sobre combustíveis segue o modelo ad rem, com valor fixo por litro definido nacionalmente.
Atualmente, os valores vigentes são:
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Gasolina: ICMS de R$ 1,22 por litro
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Diesel: ICMS de R$ 0,94 por litro
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Etanol hidratado: ICMS de R$ 0,89 por litro
Esses valores são cobrados independentemente do preço final do combustível, o que significa que, mesmo quando há queda na refinaria, a parcela do imposto permanece inalterada.
Além do ICMS, a gasolina e o etanol também têm incidência de tributos federais, enquanto o diesel segue com tributação federal zerada, o que reforça o peso do imposto estadual e das margens comerciais na composição do preço final.
Onde o preço sobe entre a refinaria e a bomba
Dados das pesquisas indicam que, no Tocantins, a gasolina chega ao consumidor com diferença média superior a R$ 1,50 por litro entre o valor na refinaria e o preço final na bomba. No diesel, essa diferença também ultrapassa R$ 1,00 por litro em alguns municípios.
Segundo um economista ouvido pela reportagem, esse descolamento não é explicado apenas por impostos.
“A Petrobras reduziu preços de forma consistente nos últimos meses. O problema está na etapa seguinte: distribuição, revenda, logística e estrutura regional. Em estados como o Tocantins, distante das refinarias e com menor concorrência entre postos, o repasse da queda é lento ou incompleto”, analisa.
Ele explica que, durante o período de paridade internacional, os reajustes eram rápidos e frequentes, enquanto agora as reduções encontram resistência na ponta final da cadeia. “Quando o preço sobe, o repasse é imediato. Quando cai, o ajuste é gradual e muitas vezes parcial”, afirma.
Comparação com o período anterior
Entre 2019 e 2022, a política de preços da Petrobras estava atrelada diretamente ao dólar e ao barril de petróleo no mercado internacional. Nesse período, o Brasil registrou recordes históricos nos preços da gasolina e do diesel, com impactos diretos na inflação e no custo dos alimentos.
Naquele modelo, mesmo sem crises internas de abastecimento, os combustíveis subiam com frequência, e o consumidor absorvia integralmente as oscilações externas. Hoje, a estatal atua como amortecedor, mas o efeito dessa mudança ainda não é totalmente percebido na bomba.
Diferença entre cidades do Tocantins
O levantamento mostra que o combustível está mais caro em municípios com menor número de postos e maior distância das bases de distribuição. Já cidades com maior concorrência apresentam preços ligeiramente menores, embora ainda elevados.
Em alguns casos, a diferença entre o posto mais caro e o mais barato dentro do mesmo município ultrapassa R$ 0,50 por litro, o que reforça a importância da pesquisa antes de abastecer.
O que pode aliviar o preço
Especialistas apontam que novas quedas dependem menos da Petrobras e mais de três fatores:
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revisão da carga tributária estadual
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aumento da concorrência entre postos
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fiscalização sobre margens de revenda
Enquanto isso, o consumidor segue sentindo no bolso um cenário em que o preço caiu na refinaria, mas ainda não chegou integralmente à bomba.
⏱️ LINHA DO TEMPO COMPARATIVA
Antes e depois da paridade internacional
2019–2022 | Paridade Internacional
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Preços atrelados automaticamente ao dólar e ao barril de petróleo
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Reajustes frequentes e imediatos, tanto para altas quanto para quedas
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Gasolina e diesel atingem recordes históricos
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Forte impacto na inflação, transporte e alimentos
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Petrobras prioriza alinhamento ao mercado externo
2023–2025 | Fim da Paridade Automática
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Política de preços baseada em custos internos e previsibilidade
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Reduções acumuladas nas refinarias
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Gasolina: cerca de R$ 0,78 por litro
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Diesel: mais de R$ 1,70 por litro
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Menor frequência de reajustes
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Petrobras atua como amortecedor de choques externos
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Preço final ainda pressionado por ICMS, logística e margens no varejo