Chuva de meteoros Geminídeas será o principal fenômeno astronômico do ano e poderá ser vista no Brasil

Chuva de meteoros Geminídeas será o principal fenômeno astronômico do ano e poderá ser vista no Brasil
Fernanda CappellessoPor Fernanda Cappellesso 29 de dezembro de 2025 16

A chuva de meteoros Geminídeas, considerada a mais intensa e regular do calendário astronômico, ocorre em dezembro de 2025 e poderá ser observada em todo o Brasil, inclusive na Região Norte, desde que as condições meteorológicas permitam céu limpo durante a noite e a madrugada.

O fenômeno acontece quando a Terra atravessa os detritos deixados pelo asteroide 3200 Phaethon, um corpo rochoso de comportamento incomum que não se enquadra totalmente na categoria de cometas tradicionais. Ao entrar na atmosfera terrestre, esses fragmentos se incendeiam devido ao atrito com o ar, produzindo rastros luminosos conhecidos como meteoros.

Diferentemente da maioria das chuvas de meteoros, que se originam de cometas, as Geminídeas se destacam tanto pela origem asteroidal quanto pela alta taxa de atividade. Em condições ideais, é possível observar entre 40 e 120 meteoros por hora, muitos deles com brilho intenso e cores variadas, como tons esverdeados, amarelados e azulados.

Segundo o astrônomo Renato Poltronieri, pesquisador da BRAMON e do projeto Astrocan, as Geminídeas são um dos eventos mais democráticos da astronomia observacional. “É uma chuva muito luminosa, com meteoros lentos e persistentes, que podem ser vistos a olho nu, sem qualquer equipamento”, explica.

O pico do fenômeno ocorre geralmente entre a noite e a madrugada, quando a constelação de Gêmeos — ponto de onde os meteoros parecem surgir — está mais alta no céu. A observação é favorecida em locais afastados de áreas urbanas, com pouca poluição luminosa, mas o brilho das Geminídeas permite registros mesmo em cidades de médio porte.

No Brasil, a visibilidade costuma ser boa em todas as regiões, desde que o tempo colabore. Para observar, especialistas recomendam escolher um local aberto, olhar para o céu por pelo menos 30 minutos para adaptação da visão ao escuro e evitar o uso de celulares durante o período de observação.

Além do espetáculo visual, a chuva de meteoros tem importância científica. Redes de monitoramento como a BRAMON utilizam câmeras espalhadas pelo país para registrar trajetórias, velocidades e fragmentação dos meteoros, contribuindo para o estudo da dinâmica de pequenos corpos do Sistema Solar.

A edição de 2025 é considerada especialmente favorável devido à fase da Lua, que interfere pouco no brilho do céu noturno durante o pico do fenômeno. Isso aumenta as chances de observação e de registros fotográficos por astrônomos amadores e profissionais.

As Geminídeas encerram o calendário anual de grandes eventos astronômicos e reforçam o papel do Brasil como um dos países com melhores condições geográficas para observação do céu, especialmente durante o verão, quando noites mais quentes favorecem atividades ao ar livre.

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