Pesquisa eleitoral no Tocantins mostra Lula à frente na Presidência e disputa aberta para 2026

Pesquisa eleitoral no Tocantins mostra Lula à frente na Presidência e disputa aberta para 2026
Crédito: Ricardo Stuckert
Fernanda CappellessoPor Fernanda Cappellesso 5 de janeiro de 2026 199

Levantamento revela alta taxa de indecisos, fragmentação política e influência direta de renda e idade no voto

Uma pesquisa quantitativa realizada no Tocantins em dezembro de 2025 revela um cenário eleitoral ainda indefinido para as eleições de 2026, tanto no plano nacional quanto estadual. O levantamento ouviu mil eleitores em todo o estado, com margem de erro de três pontos percentuais e nível de confiança de 95%. Os dados indicam liderança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na corrida presidencial, vantagem da Professora Dorinha na disputa pelo governo estadual e um quadro pulverizado para o Senado, marcado por elevada taxa de indecisos.

O perfil da amostra reflete a composição socioeconômica do eleitorado tocantinense. As mulheres representam 51% dos entrevistados, enquanto os homens somam 49%. A maior parte da população ouvida tem entre 35 e 59 anos (45%), seguida pelo grupo de 16 a 34 anos (36%) e eleitores com mais de 60 anos (19%). Em termos de renda, 58% vivem com até dois salários mínimos, 27% ganham entre dois e cinco salários e apenas 15% superam essa faixa. O dado ajuda a explicar padrões de voto observados ao longo da pesquisa.

Presidência: liderança de Lula convive com base conservadora consistente

No cenário estimulado para a Presidência da República, Lula aparece com 36% das intenções de voto no Tocantins. Flávio Bolsonaro surge em segundo lugar, com 23%, seguido por Ratinho Júnior, com 11%, e Ronaldo Caiado, com 7%. Apesar da liderança do atual presidente, chama atenção o contingente de eleitores que se declaram indecisos, que pretendem votar em branco ou que afirmam não votar, totalizando 21%.

A segmentação por gênero revela uma divisão clara. Lula lidera com folga entre as mulheres, alcançando 43%, enquanto entre os homens há empate técnico entre ele e Flávio Bolsonaro, ambos com 29%. O recorte etário mostra crescimento do petista conforme a idade avança: ele atinge 46% entre eleitores com mais de 60 anos. Já Flávio Bolsonaro tem desempenho mais concentrado entre adultos de meia-idade.

A renda amplia o contraste político. Lula domina entre os eleitores de menor renda, com 42% entre aqueles que ganham até dois salários mínimos. Flávio Bolsonaro cresce entre os eleitores de renda intermediária e alta, alcançando 30% entre quem recebe de dois a cinco salários e 27% entre os que ganham mais de cinco. O padrão reforça uma clivagem social persistente no estado, semelhante à observada em disputas nacionais desde 2018.

Governo do Tocantins: vantagem inicial e teto eleitoral

Na disputa pelo Palácio Araguaia, a Professora Dorinha lidera o cenário estimulado com 42% das intenções de voto. Laurez Moreira aparece em segundo lugar, com 27%, seguido por Ataídes Oliveira, com 9%. Indecisos, votos brancos e eleitores que afirmam não votar somam 22%, percentual suficiente para alterar o cenário ao longo da campanha.

Dorinha mantém desempenho relativamente estável em todos os recortes de gênero, idade e renda, oscilando pouco acima dos 40%. Laurez apresenta votação homogênea entre os diferentes estratos sociais. Ataídes concentra apoio maior entre homens e eleitores de renda mais alta, mas ainda distante dos dois primeiros colocados.

O levantamento também aponta índices relevantes de rejeição. Ataídes lidera a rejeição, com 36% afirmando que não votariam nele de forma alguma. Laurez registra 33% e Dorinha, 30%. O dado sugere que, apesar da liderança, a candidata mais bem posicionada enfrenta resistência significativa, o que mantém aberta a possibilidade de segundo turno competitivo.

Senado: disputa fragmentada e indefinição elevada

Para as duas vagas ao Senado, o cenário é ainda mais pulverizado. Eduardo Gomes aparece na liderança com 24% das intenções de voto. Carlos Gaguim e Alexandre Guimarães surgem empatados com 12%, seguidos por Vicentinho Júnior, com 11%, e Irajá, com 10%. Vanderlei Luxemburgo soma 6%.

A pesquisa revela que Eduardo Gomes concentra mais votos como primeira opção, mas perde força como segunda escolha, enquanto seus adversários apresentam distribuição mais equilibrada entre voto um e voto dois. Indecisos, votos brancos e eleitores que não pretendem votar chegam a 17%, indicando ampla margem para rearranjos eleitorais.

Avaliação do governo e clima político

A avaliação do governo estadual mostra aprovação de 64% dos entrevistados, contra 34% de desaprovação. Quando a percepção é detalhada, 39% classificam a gestão como ótima ou boa, 36% como regular e 23% como ruim ou péssima. O dado revela um eleitorado majoritariamente favorável, mas sem entusiasmo elevado, o que tende a estimular discursos de mudança e disputas narrativas em ano pré-eleitoral.

Análise do cenário

Os números indicam um Tocantins politicamente dividido, com lideranças consolidadas, mas sem hegemonia absoluta. A elevada taxa de indecisos, aliada à fragmentação no Senado e aos índices de rejeição no governo estadual, aponta para uma eleição aberta em 2026. O comportamento do eleitor mostra forte influência de renda, idade e gênero, com menor fidelidade partidária e maior sensibilidade ao contexto econômico e à comunicação política.

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