Tocantins rompe a marca de US$ 3 bilhões em exportações e expõe a nova engrenagem econômica do Norte

Tocantins rompe a marca de US$ 3 bilhões em exportações e expõe a nova engrenagem econômica do Norte
Exportações do Tocantins superam US$ 3 bilhões em 2025, com crescimento de 21,7% e superávit histórico.
Fernanda CappellessoPor Fernanda Cappellesso 14 de janeiro de 2026 5

O Tocantins atravessou em 2025 uma fronteira simbólica e material: ultrapassou pela primeira vez a marca de US$ 3 bilhões em exportações anuais e passou a ocupar o 3º lugar no ranking da Região Norte, atrás apenas do Pará e de Rondônia. O salto não é marginal. Representa crescimento de 21,7% em relação a 2024, num contexto nacional marcado por desaceleração em alguns polos tradicionais do agronegócio.

Os dados oficiais da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços mostram que o estado exportou US$ 3.047.968.695 em 2025, consolidando-se como um dos principais vetores econômicos fora do eixo amazônico clássico. A expansão da balança comercial ocorre em paralelo ao reposicionamento do Tocantins como corredor logístico e produtor de commodities com maior valor agregado.

Por trás dos números está uma combinação de fatores estruturais e políticos. A gestão estadual atribui o desempenho ao Programa de Impulsionamento da Indústria, Comércio e Serviços (Pics), executado pela Secretaria da Indústria, Comércio e Serviços, com foco na diversificação da pauta exportadora, redução de entraves burocráticos e aumento da competitividade internacional.

Na prática, o que se observa é a consolidação de uma matriz produtiva fortemente ancorada no agronegócio, mas com sinais de diversificação. A soja permanece como carro-chefe, responsável por 51% das exportações, com cerca de 3,9 milhões de toneladas embarcadas ao longo do ano. Em comparação, estados do Norte historicamente mais dependentes da mineração apresentam maior volatilidade nos resultados, enquanto o Tocantins se ancora em cadeias mais estáveis.

A carne bovina aparece como o segundo principal produto da pauta, representando 21,1% das vendas externas, reflexo da ampliação de plantas frigoríficas habilitadas para mercados exigentes. A mineração, ainda incipiente em termos proporcionais, ganha peso estratégico: em 2025, o estado exportou 1,9 tonelada de ouro, equivalente a 6,5% do total exportado, sinalizando mudança gradual no perfil produtivo.

Do lado das importações, o volume totalizou US$ 348 milhões, evidenciando uma economia que exporta muito mais do que consome do exterior. China e Canadá lideraram a origem dos produtos importados, com participações de 28,2% e 20,2%, respectivamente, concentradas em insumos industriais, máquinas e equipamentos.

O resultado final da balança comercial é expressivo. A corrente de comércio somou US$ 3,4 bilhões, e o superávit fechou em US$ 2,6 bilhões, um dos maiores saldos proporcionais do país. Em termos comparativos, o desempenho coloca o Tocantins à frente de estados com economias mais antigas, mas menos integradas ao comércio exterior.

A China consolidou-se como principal destino das exportações, absorvendo 55,6% de tudo o que o estado vendeu ao exterior. Espanha, Canadá, Egito e Índia completam a lista de parceiros estratégicos, o que reduz a dependência de um único mercado e amplia a margem de negociação internacional.

Mais do que um recorde estatístico, os números de 2025 revelam uma mudança de patamar. O Tocantins deixa de ser apenas um exportador periférico e passa a ocupar espaço relevante na engrenagem comercial brasileira, sustentado por logística estratégica, expansão produtiva e uma balança comercial robusta. O desafio, a partir de agora, é transformar volume em sofisticação, reduzindo a dependência de commodities primárias e ampliando a industrialização local — a diferença entre crescer e se consolidar.

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