Brasileiros passam a poder escolher fornecedor de energia: o que mudou de fato no setor elétrico

Brasileiros passam a poder escolher fornecedor de energia: o que mudou de fato no setor elétrico
consumidores em todo o Brasil; Tocantins e Goiás vivem realidades distintas no setor elétrico.
Fernanda CappellessoPor Fernanda Cappellesso 15 de janeiro de 2026 16

O setor elétrico brasileiro entrou em uma nova fase regulatória com a ampliação do mercado livre de energia, modelo que permite ao consumidor escolher de quem compra a energia, negociando preço, prazo e condições contratuais. A mudança representa um marco no sistema elétrico nacional, mas não vale ainda para todos os brasileiros, como tem circulado de forma imprecisa nas redes sociais.

A abertura é gradual, regulada pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e pelo Ministério de Minas e Energia, e altera profundamente a lógica tradicional do setor.

O que mudou oficialmente

Desde janeiro de 2024, todos os consumidores atendidos em alta tensão (Grupo A) passaram a ter o direito de migrar para o mercado livre de energia, independentemente do porte ou da atividade econômica.

Antes dessa mudança, apenas grandes consumidores, como indústrias de grande escala, podiam fazer essa escolha. Com a nova regra, pequenas e médias empresas, hospitais, supermercados, shoppings e prédios comerciais conectados em alta tensão também passaram a ter esse direito.

O que NÃO mudou

Consumidores residenciais comuns e pequenos comércios atendidos em baixa tensão (Grupo B) ainda não podem escolher o fornecedor de energia.

Esses consumidores continuam obrigatoriamente vinculados à distribuidora local, responsável tanto pela compra quanto pela entrega da energia.

Ou seja:
✔ A abertura existe
✖ Mas não chegou às casas da maioria dos brasileiros

Distribuidora x fornecedor: qual a diferença

Mesmo no mercado livre, a distribuidora local não deixa de existir. Ela continua responsável por:

  • levar a energia até o imóvel;

  • manter postes, fios e transformadores;

  • realizar a leitura do consumo;

  • atender ocorrências e quedas de energia.

O que muda é quem vende a energia. No mercado livre, o consumidor escolhe o fornecedor, que pode ser uma geradora ou comercializadora.

A conta de luz passa a ter parcelas separadas, distinguindo energia contratada e uso da rede.

Fica mais barato?

Depende.

Especialistas do setor elétrico explicam que o mercado livre não garante automaticamente redução de custos, mas oferece:

  • possibilidade de negociar preços;

  • contratos de longo prazo;

  • previsibilidade contra oscilações tarifárias;

  • escolha de energia de fonte específica (como solar ou eólica).

Em momentos de alta das tarifas reguladas, consumidores do mercado livre tendem a ter maior proteção. Em cenários de baixa, o ganho pode ser menor.

O Tocantins entra nessa nova regra?

Sim, para consumidores do Grupo A.

Empresas e instituições no Tocantins conectadas em alta tensão já podem migrar para o mercado livre, desde que cumpram os requisitos técnicos e contratuais definidos pela Aneel e pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE).

Consumidores residenciais tocantinenses, por enquanto, seguem no mercado regulado, atendidos pela concessionária local.

Quando o mercado livre chegará às residências?

O governo federal já sinalizou que a abertura total do mercado, incluindo consumidores residenciais, é um objetivo, mas não há data definida.

A transição depende de:

  • ajustes regulatórios;

  • sistemas de medição mais modernos;

  • proteção a consumidores vulneráveis;

  • reestruturação do modelo tarifário.

Especialistas alertam que uma abertura sem preparo pode gerar assimetria de informação e riscos para o consumidor final.

O que muda na prática

Hoje, o Brasil vive um modelo híbrido:

  • parte dos consumidores já escolhe o fornecedor;

  • a maioria ainda está no sistema tradicional.

A ampliação do mercado livre representa uma mudança estrutural no setor elétrico, com impacto potencial sobre preços, concorrência e transparência, mas seus efeitos completos ainda serão graduais.

Em resumo

✔ Empresas em alta tensão já podem escolher fornecedor
✔ O Tocantins está incluído nessa regra
✖ Residências ainda não podem migrar
✖ Não há data oficial para abertura total

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