“Os cães confirmaram que as três crianças estiveram na casa caída”, diz Maurício Martins; Roberto Costa afirma: “Bacabal não vai parar até encontrar Ágata e Alain”
Em entrevista concedida ao Diário Tocantinense, no Maranhão, o secretário de Estado da Segurança Pública, Maurício Martins, detalhou os avanços nas buscas pelas crianças desaparecidas em Bacabal, confirmando que o trabalho técnico realizado por cães farejadores trouxe novos elementos considerados decisivos para a operação.
Segundo o secretário, quatro cães farejadores foram empregados nas buscas, inicialmente pela Polícia Militar do Maranhão e, posteriormente, por equipes que chegaram de apoio, incluindo bombeiros de outros estados. O resultado foi a confirmação de que as três crianças estiveram em uma residência abandonada, conhecida na região como “casa caída”, localizada em área de mata.
“Os cães confirmaram que as três crianças estiveram naquele local. Inclusive da forma como o Cauã descreveu. Ele relatou que chegou por um lado da casa e que as outras duas crianças chegaram pelo outro. Esse trajeto foi identificado pelos cães. Não foi apenas um cão, foram quatro cães farejadores trabalhando nessa confirmação”, afirmou Maurício Martins.
O secretário explicou que Cauã já havia relatado a passagem pelo local e que, quando as equipes chegaram à residência, encontraram objetos simples, como banco velho, colchão e botas, exatamente como ele havia descrito. “Não são objetos pessoais das crianças. São itens que pertenciam às pessoas que moravam ali. O Cauã reconheceu o local por fotografia e depois presencialmente. Os cães confirmaram a presença das três crianças naquele ponto”, disse.
De acordo com Maurício Martins, após a confirmação da casa, os cães seguiram um rastro que desce uma ribanceira, circula nas proximidades e indica deslocamento em direção ao rio, reforçando a decisão das forças de segurança de ampliar significativamente o perímetro de buscas.
“Os cães desceram aquela ribanceira e circularam ali. Toda aquela área foi frequentada pelas três crianças. Por isso, nós vamos ampliar as buscas. Além da mata, vamos reforçar as ações no rio, inclusive com incursões subaquáticas. Vamos continuar com helicóptero, drones e equipes em terra”, declarou.
Questionado sobre a linha de investigação, o secretário foi enfático ao afirmar que nenhuma hipótese está descartada. “Nós não vamos descartar nenhuma linha de investigação, por mais absurda que possa parecer. Mas também não vamos deixar de lado as buscas. As duas frentes seguem juntas. O Cauã nega a participação de terceiros e relatou que as três crianças saíram do povoado e se perderam na mata. Esse é o ponto inicial. Mas temos uma grande equipe da Polícia Civil do Maranhão mobilizada, com cinco delegados experientes, investigadores, escrivães e o serviço de inteligência atuando”, afirmou.
Maurício Martins explicou ainda que moradores da região estão sendo ouvidos, mas destacou que as residências próximas são moradias temporárias, utilizadas para pesca e plantio, e que seus ocupantes vivem na cidade de Bacabal.“Essas pessoas têm residência em Bacabal. Nenhum morador relatou ter visto as crianças naquele local. Mesmo assim, estamos fazendo todos os levantamentos necessários”, disse.
Durante a coletiva, o prefeito de Bacabal, Roberto Costa, também falou ao Diário Tocantinense e ressaltou o empenho da gestão municipal e das forças de segurança do Maranhão. “A Prefeitura de Bacabal tem garantido toda a estrutura logística para que as equipes possam trabalhar. O Maranhão está mobilizado. Bacabal está mobilizada. Nós não vamos parar até encontrar a Ágata e o Alain”, declarou.
O prefeito agradeceu publicamente às forças de segurança, aos voluntários e aos profissionais que se deslocaram de outras cidades e estados para auxiliar nas buscas, inclusive operadores de drones de alta tecnologia. “Esse empenho, essa união, essa dedicação e esse carinho que todos estão demonstrando nos dão a certeza de que vamos localizar essas crianças o mais rápido possível”, afirmou.
Ao encerrar a entrevista, Maurício Martins reforçou o compromisso das autoridades do Maranhão com a continuidade da operação. “Nós vamos localizar essas crianças. Estamos fazendo tudo aquilo que é possível. As buscas já foram feitas e refeitas na área inicial e agora vão ser ampliadas. Vamos avançar na mata, no rio, com mergulhadores, drones e helicóptero. Custe o que custar, nós vamos encontrar essas crianças.”