Material escolar de 2026 tem variação superior a 300% no Tocantins e pressiona orçamento das famílias

Material escolar de 2026 tem variação superior a 300% no Tocantins e pressiona orçamento das famílias
Fernanda CappellessoPor Fernanda Cappellesso 19 de janeiro de 2026 8

Com a proximidade do início do ano letivo, o custo do material escolar voltou a pesar no orçamento das famílias tocantinenses. Pesquisas recentes do Procon Tocantins, realizadas em Palmas e em municípios do interior do estado, apontam diferenças expressivas de preços para os mesmos produtos, com variações que ultrapassam 300% em alguns itens básicos, como lápis, canetas e cadernos.

O levantamento evidencia que o impacto financeiro não está restrito à capital e, em muitos casos, é ainda mais severo no interior, onde a oferta de estabelecimentos é menor e o consumidor tem menos margem de escolha.

Em Palmas, a pesquisa feita entre os dias 6 e 7 de janeiro identificou oscilações relevantes dentro da própria cidade. Um lápis preto nº 2, item obrigatório em praticamente todas as listas escolares, foi encontrado por valores entre R$ 0,24 e R$ 0,50. Já uma lapiseira simples apresentou preços que variaram de R$ 4,99 a R$ 12,98, diferença superior a 160%.

Itens de maior valor agregado ampliam ainda mais a disparidade. Conjuntos de lápis de cor e canetinhas, por exemplo, chegaram a apresentar variação acima de 300% entre o menor e o maior preço registrados na capital.

No interior, os números chamam ainda mais atenção. Em Gurupi, levantamento realizado entre os dias 9 e 10 de janeiro mostrou que uma caneta fine pen pode custar de R$ 2,99 a R$ 5,80, enquanto kits de material artístico, como canetinhas hidrográficas e lápis de cor, variam de pouco mais de R$ 8 a quase R$ 25, dependendo do estabelecimento. Em Araguaína, a lógica se repete, com diferenças significativas em produtos considerados essenciais.

Para famílias com mais de um filho, o impacto é imediato. Em Palmas, a auxiliar administrativa Patrícia Almeida, mãe de dois estudantes do ensino fundamental, conta que precisou dividir as compras em diferentes lojas. “Se eu tivesse comprado tudo em um único lugar, teria gastado bem mais. Só comparando preços consegui reduzir o valor final em algumas centenas de reais”, afirma.

No interior, a pressão é ainda maior. Em Gurupi, a agricultora Maria do Socorro Silva, mãe de três filhos, relata que o gasto com material escolar compromete parte significativa da renda do mês. “Quando você percebe que o mesmo caderno muda tanto de preço, entende que pesquisar deixou de ser opção”, diz.

Segundo o economista e especialista em defesa do consumidor Carlos Eduardo Pacheco, as variações identificadas pelo Procon não configuram ilegalidade, mas expõem um mercado pouco transparente para o consumidor. “O problema não é apenas o preço alto, mas a falta de informação. Muitas famílias compram por impulso ou por falta de tempo e acabam pagando mais caro”, explica.

Ele alerta ainda para práticas consideradas abusivas. “Escolas não podem exigir materiais de uso coletivo, produtos de marcas específicas ou itens que não sejam de responsabilidade das famílias. Essas exigências violam o Código de Defesa do Consumidor e devem ser denunciadas.”

O Procon Tocantins reforça que a simples comparação de preços pode gerar economia significativa. Em uma lista escolar padrão, a diferença entre escolher sempre o menor preço ou comprar sem pesquisa pode ultrapassar R$ 400, valor relevante para famílias de renda média e baixa.

O órgão orienta os consumidores a pesquisar em diferentes estabelecimentos, priorizar itens básicos, evitar produtos licenciados e reaproveitar materiais em bom estado do ano anterior. Notas fiscais devem ser guardadas, e irregularidades, denunciadas.

Em um cenário de inflação ainda sensível e renda pressionada, o levantamento do Procon mostra que o custo do material escolar deixou de ser apenas uma despesa sazonal e passou a representar um teste de planejamento financeiro para milhares de famílias tocantinenses às vésperas de 2026.

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