Lagartas podem causar acidentes graves em crianças: riscos, sintomas, atendimento e prevenção
Contato com lagartas peçonhentas cresce no verão e já soma quase 27 mil acidentes no Brasil em cinco anos; crianças estão entre as principais vítimas
Com a chegada do verão e o aumento das atividades ao ar livre, um risco pouco percebido volta a ganhar relevância no Brasil: acidentes provocados por contato com lagartas peçonhentas, especialmente entre crianças. Dados consolidados do sistema de vigilância em saúde indicam que 26,9 mil ocorrências foram registradas no país entre 2019 e 2023, com aproximadamente 20% das vítimas tendo até 9 anos de idade.
O crescimento dos casos acompanha o período de férias escolares, quando crianças passam mais tempo em parques, quintais, áreas rurais e espaços arborizados. A combinação entre curiosidade infantil, exposição direta da pele e desconhecimento dos riscos aumenta a probabilidade de acidentes, que podem variar de quadros leves a situações clínicas graves.
O que são os acidentes com lagartas
Os acidentes acontecem quando a pele entra em contato com as cerdas urticantes das lagartas, estruturas microscópicas que funcionam como agulhas e liberam toxinas ao perfurar a pele. O quadro é conhecido como erucismo.
Na maioria dos casos, os sintomas ficam restritos ao local do contato, mas algumas espécies produzem venenos capazes de provocar alterações sistêmicas, afetando a coagulação do sangue e outros órgãos.
Onde os acidentes acontecem com mais frequência
Levantamentos epidemiológicos apontam que cerca de 70% dos contatos ocorrem nas mãos e nos braços, regiões mais expostas durante brincadeiras, escaladas em árvores ou manuseio de folhas e galhos. Quintais residenciais, parques urbanos, áreas de mata e escolas com vegetação densa concentram parte significativa das ocorrências.
Sintomas mais comuns após o contato
Os sinais costumam surgir poucos minutos após o toque e incluem:
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dor intensa e sensação de queimação
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vermelhidão e inchaço
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lesões semelhantes à urticária
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sensibilidade local persistente
Na maioria das situações, o quadro evolui de forma favorável. No entanto, a presença de sintomas sistêmicos exige atenção imediata.
Lagartas que oferecem maior risco à saúde
No Brasil, os acidentes mais relevantes envolvem lagartas de duas famílias:
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Megalopygidae, conhecidas como “lagartas cabeludas”, cujos pelos escondem cerdas urticantes;
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Saturniidae, que incluem o gênero Lonomia, considerado o mais perigoso do país.
O veneno da Lonomia pode provocar distúrbios graves da coagulação, levando a sangramentos na gengiva, urina com sangue, manchas roxas pelo corpo e, em casos extremos, hemorragias internas, insuficiência renal e risco de morte se o atendimento não for rápido.
Por que crianças são mais vulneráveis
Especialistas apontam três fatores principais para o maior risco em crianças:
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Menor peso corporal, o que potencializa os efeitos do veneno;
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Sistema imunológico em desenvolvimento;
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Dificuldade em relatar sintomas precocemente, o que pode atrasar o diagnóstico e o tratamento.
Além disso, crianças tendem a tocar ou manipular insetos por curiosidade, muitas vezes sem perceber o perigo.
Tratamento e atendimento médico
Nos casos leves, o tratamento é sintomático. Já nos acidentes moderados ou graves envolvendo Lonomia, o único tratamento específico é o soro antilonômico, produzido no Brasil pelo Instituto Butantan e disponibilizado gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Estudos clínicos mostram que os sintomas mais graves costumam se intensificar entre seis e 12 horas após o contato, o que torna o atendimento rápido um fator decisivo para evitar complicações.
O que fazer após o contato com lagarta
As orientações médicas incluem:
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remover as cerdas com fita adesiva, sem esfregar a pele
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lavar o local com água e sabão
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aplicar compressa fria para aliviar a dor
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procurar imediatamente uma unidade de saúde, principalmente se surgirem sintomas além do local do contato
Sempre que possível, é importante informar características do animal, como cor e tamanho.
O que não fazer
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não esfregar a região atingida
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não aplicar álcool, vinagre ou substâncias caseiras
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não fazer torniquetes, cortes ou sucção
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não usar aspirina ou anti-inflamatórios sem orientação médica, devido ao risco de sangramento em casos graves
Prevenção é a principal estratégia
Autoridades em saúde associam o aumento dos acidentes a fatores ambientais como desmatamento, queimadas e desequilíbrio ecológico, que aproximam esses insetos das áreas urbanas.
As principais medidas preventivas incluem:
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observar troncos, folhas e galhos antes de tocá-los
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evitar manusear lagartas, mesmo aparentando estar mortas
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usar luvas ao lidar com vegetação
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redobrar a vigilância de crianças em áreas arborizadas
Atendimento de emergência
Em situações de emergência, o atendimento pode ser acionado pelo SAMU (192). Orientações adicionais também podem ser obtidas junto aos Centros de Informação Toxicológica, disponíveis em todos os estados.