Ato de solidariedade marca história da saúde no Tocantins: doação de órgãos de treinador do Águia de Marabá faz primeira captação do Hospital Regional de Gurupi
Um gesto de amor em meio à dor marcou, neste sábado, 24, um momento histórico para a saúde pública do Tocantins. O Hospital Regional de Gurupi (HRG) realizou sua primeira captação de múltiplos órgãos, após autorização da família de Ronan Tyezer Rodrigues, de 44 anos, treinador da equipe sub-20 do Águia de Marabá.
Ronan foi vítima de um grave acidente de trânsito na BR-153 e estava internado no HRG desde o dia 15 de janeiro. Apesar de todos os esforços da equipe multiprofissional, o quadro evoluiu para morte encefálica, confirmada na última quinta-feira, 22, de acordo com os critérios médicos e legais.
Em meio ao luto, a família tomou a decisão de autorizar a doação de órgãos. Um ato de solidariedade que poderá beneficiar até oito pacientes que aguardam na fila por um transplante, transformando uma perda irreparável em esperança concreta para outras famílias.
Reconhecido pela dedicação ao esporte e pela atuação como formador de atletas, Ronan era considerado uma referência no meio esportivo. Agora, sua história ganha um novo capítulo, ligado à vida.
“O que precisa ser destacado é a história do Ronan e tudo o que ele representa: um profissional dedicado, um professor, alguém sobre quem sempre ouvimos boas referências. Mesmo diante de um acidente tão trágico, a decisão da família permite que essa história continue, agora salvando outras vidas por meio da doação de órgãos”, afirmou o diretor-geral do HRG, Pedro Pires.
O gestor também ressaltou o empenho das equipes desde o primeiro atendimento. “Desde a chegada ao hospital, não medimos esforços. Toda a equipe se mobilizou de forma imediata, do corpo clínico à enfermagem e aos setores administrativos. Foi um trabalho conjunto, comprometido e humano”, declarou.
A captação contou com o acompanhamento da Central Estadual de Transplantes, em articulação com o Sistema Nacional de Transplantes, seguindo rigorosamente todas as normas técnicas e legais. O processo envolve equipes especializadas, logística específica e protocolos que garantem segurança, rastreabilidade e respeito à dignidade do doador e de seus familiares.
“A Central acompanha todas as etapas, desde a documentação até a definição logística para a captação e a oferta dos órgãos, sempre em conformidade com o Sistema Nacional de Transplantes”, explicou a coordenadora da Central Estadual de Transplantes, Tatiana Oliveira Costa.
Ela reforçou o impacto direto da decisão da família. “Em um momento de extrema dor, a família fez uma escolha solidária e generosa. Esse ‘sim’ representa esperança real para pacientes que aguardam por um transplante”, afirmou.
A Secretaria de Estado da Saúde manifestou solidariedade aos familiares e amigos de Ronan e reforçou que a doação de órgãos é um dos mais nobres atos de amor ao próximo. Segundo a pasta, iniciativas como essa fortalecem a rede pública de saúde, ampliam o acesso aos transplantes e transformam despedidas em novos começos.