Fuga em Cariri completa um mês e presos seguem foragidos

Fuga em Cariri completa um mês e presos seguem foragidos
Fernanda CappellessoPor Fernanda Cappellesso 26 de janeiro de 2026 10

Passado um mês da fuga de dois presos da Unidade Penal de Cariri do Tocantins, no sul do estado, as forças de segurança seguem mobilizadas na tentativa de recapturá-los. O caso, ocorrido em 25 de dezembro de 2025, ganhou repercussão estadual e levantou questionamentos sobre a estrutura do sistema prisional, a segurança das unidades e os riscos à população.

Os foragidos foram identificados como Renan Barros da Silva, de 26 anos, e Gildásio Silva Assunção, de 47. Ambos cumpriam pena em regime fechado e são considerados de alta periculosidade, segundo a Secretaria da Segurança Pública do Tocantins (SSP-TO). Desde a fuga, operações policiais se concentram em regiões rurais, áreas de mata e municípios vizinhos, sem que, até o momento, a dupla tenha sido localizada.

Como ocorreu a fuga

De acordo com informações oficiais, os presos serraram as grades da cela durante a madrugada e utilizaram lençóis amarrados como corda para escalar a estrutura da unidade prisional. A ausência dos detentos só foi percebida horas depois, durante a conferência de rotina.

A dinâmica da fuga expôs fragilidades estruturais e operacionais, como a resistência das grades, o controle de objetos dentro das celas e a vigilância noturna. A unidade passou por vistorias após o ocorrido, e medidas corretivas começaram a ser adotadas.

Quem são os foragidos

Renan Barros da Silva é apontado pela polícia como responsável por homicídios em série, com condenações que somam mais de 70 anos de prisão, principalmente por crimes cometidos em Araguaína e região norte do estado. Investigadores classificam seu perfil como de alto risco, com histórico de violência reiterada.

Já Gildásio Silva Assunção acumulava mais de 40 anos de pena, também por crimes violentos. As investigações indicam que ambos mantêm vínculos com facção criminosa de atuação nacional, o que amplia a preocupação das autoridades quanto a possíveis redes de apoio fora do sistema prisional.

Força-tarefa e áreas de busca

Desde o dia da fuga, a SSP-TO coordena uma força-tarefa envolvendo Polícia Civil, Polícia Militar e setores de inteligência, com ações concentradas no sul do Tocantins, mas sem descartar a possibilidade de deslocamento interestadual.

As buscas incluem:

  • patrulhamento ostensivo em zonas rurais;

  • monitoramento de estradas vicinais;

  • checagem de denúncias anônimas;

  • compartilhamento de informações com forças de segurança de outros estados.

A população foi orientada a não tentar qualquer tipo de abordagem e a acionar imediatamente os canais oficiais (190, 197 ou números da Polícia Civil) em caso de informações sobre o paradeiro dos foragidos.

Impacto na população e alerta de segurança

A permanência dos fugitivos em liberdade tem gerado apreensão entre moradores de Cariri do Tocantins e municípios vizinhos, especialmente em áreas rurais e comunidades mais isoladas. Prefeituras e lideranças locais reforçaram orientações de segurança e pediram atenção redobrada da população.

Especialistas em segurança pública ouvidos pela reportagem afirmam que fugas envolvendo presos de alta periculosidade aumentam a sensação de insegurança e exigem respostas rápidas do Estado, tanto na captura quanto na revisão de protocolos internos do sistema prisional.

Sistema prisional em debate

O caso reacendeu o debate sobre a infraestrutura das unidades penais no interior do país, muitas delas construídas para uma realidade carcerária diferente da atual. Falhas físicas, déficit de pessoal e limitações tecnológicas são apontados como fatores que elevam o risco de ocorrências semelhantes.

Analistas destacam que, além da recaptura, episódios como o de Cariri exigem investimentos em monitoramento eletrônico, reforço estrutural e revisão de rotinas de segurança, para evitar reincidência.

O que diz a Secretaria de Segurança Pública

Em nota, a SSP-TO informou que a recaptura dos foragidos é prioridade e que as diligências seguem em andamento, sem prazo para conclusão. A pasta afirma que ajustes foram feitos na unidade prisional e que novas medidas de segurança estão sendo implementadas.

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