Tocantins vê PSD nacional reposicionar o tabuleiro e expor dilemas da base de Laurez para 2026

Tocantins vê PSD nacional reposicionar o tabuleiro e expor dilemas da base de Laurez para 2026
Fernanda CappellessoPor Fernanda Cappellesso 29 de janeiro de 2026 36

O reposicionamento nacional do PSD, intensificado após a filiação do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, passou a produzir efeitos diretos no Tocantins e colocou sob pressão a estratégia política do vice-governador Laurez Moreira, presidente estadual da sigla e nome tratado como pré-candidato ao governo em 2026.

A entrada de Caiado no partido não é um movimento isolado. Ela se soma à presença de outros governadores citados como potenciais presidenciáveis dentro do PSD, como Ratinho Jr. e Eduardo Leite, e reforça a estratégia conduzida pelo presidente nacional da legenda, Gilberto Kassab. O objetivo é consolidar o partido como eixo central do campo político intermediário, preservando capacidade de diálogo tanto com a esquerda quanto com a direita nas eleições de 2026.

Esse desenho nacional amplia o poder de barganha do PSD, mas impõe dilemas aos diretórios estaduais, especialmente em contextos de disputa polarizada, como o tocantinense.

O impacto nacional e seus reflexos no Tocantins

No plano federal, o PSD passou a operar como uma das principais forças do chamado centro ampliado, reunindo lideranças com perfis ideológicos distintos e forte presença administrativa nos estados. Essa característica permite ao partido negociar com diferentes campos, sem assumir compromisso antecipado com uma candidatura presidencial específica.

No Tocantins, porém, essa flexibilidade nacional encontra limites práticos. A base política construída por Laurez reúne aliados de matrizes distintas, incluindo quadros ligados à esquerda e setores identificados com o eleitorado conservador. A convivência desses grupos no mesmo projeto tem gerado tensões internas e críticas públicas, sobretudo nas redes sociais e em círculos políticos regionais.

Aproximação com a base lulista e reação interna

Durante períodos em que Laurez assumiu interinamente o governo do Estado, foram feitas nomeações e articulações que aproximaram seu grupo do Partido dos Trabalhadores. Entre os nomes ligados ao campo petista que ganharam espaço estão o ex-deputado Paulo Mourão, a vereadora Thamires e o ex-senador Donizeti Nogueira.

Essas movimentações foram interpretadas como uma tentativa de construir uma frente ampla estadual alinhada, ao menos parcialmente, à base do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ao mesmo tempo, despertaram resistência entre apoiadores que defendem um posicionamento mais claro do PSD no campo do centro-direita.

PSB se reorganiza e entra no tabuleiro

Outro fator relevante no rearranjo político estadual é a reorganização do PSB no Tocantins. A mudança de comando da sigla reduziu o protagonismo do ex-prefeito Carlos Amastha e aproximou o partido do senador Irajá, também filiado ao PSD.

A filiação do superintendente de Agricultura e Pecuária, Roberto César Ferreira de Oliveira, conhecido como Cesinha, ao PSB é vista como parte desse movimento de convergência. A aproximação entre PSD e PSB fortalece a hipótese de uma coalizão ampla em torno de Laurez, mas também amplia a necessidade de definir com clareza o eixo político do projeto.

União Brasil e a disputa pelo eleitorado estadual

A saída de Caiado do União Brasil também repercute no Tocantins por contraste. A legenda é comandada no estado pela senadora Dorinha Seabra, apontada como pré-candidata ao governo. Com isso, a reorganização do PSD nacional tende a intensificar a disputa entre dois campos que buscam se apresentar como alternativas viáveis ao eleitorado estadual em 2026.

O dilema local do PSD

Assim como ocorre no plano nacional, o PSD tocantinense enfrenta o desafio de equilibrar pragmatismo e identidade política. A construção de uma frente que inclua PT e PSB amplia a base institucional e eleitoral, mas pode afastar segmentos do eleitorado mais conservador. Por outro lado, um alinhamento mais explícito ao centro-direita pode dificultar acordos com partidos que hoje compõem a base do governo federal.

Nesse contexto, ganha relevância a possibilidade de Paulo Mourão disputar o Senado, em uma eventual composição que combine candidatura de Laurez ao governo com apoio de partidos da base lulista. O desenho, no entanto, ainda encontra resistências internas e depende do desfecho da estratégia nacional do PSD.

O que está em jogo em 2026

O reposicionamento do PSD no Tocantins tende a ser decisivo para a formação dos palanques de 2026. A definição sobre qual campo político terá prioridade — ou se o partido tentará sustentar um equilíbrio entre polos — será determinante tanto para a disputa ao governo estadual quanto para a articulação do palanque presidencial no estado.

Assim como Kassab tenta manter o PSD como peça central do tabuleiro nacional, Laurez e Irajá enfrentam o desafio de traduzir essa estratégia para a realidade tocantinense, onde a polarização e as disputas locais reduzem a margem para ambiguidades prolongadas.

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