Indústria do Tocantins fecha 2025 em queda e revela ambiente econômico adverso
A indústria do Tocantins encerrou o quarto trimestre de 2025 em retração, com queda na produção, redução no nível de emprego e recuo na intenção de investimentos. O diagnóstico consta da Sondagem Industrial divulgada nesta quinta-feira (29) pela Federação das Indústrias do Estado do Tocantins (FIETO), que analisou o desempenho do setor entre os meses de outubro e dezembro do ano passado.
De acordo com o levantamento, a produção industrial no estado apresentou queda de nove pontos no período, enquanto o indicador de emprego recuou dois pontos, refletindo um ambiente de cautela por parte dos empresários. O cenário aponta desaceleração consistente da atividade industrial ao final de 2025, acompanhada por restrições financeiras e estruturais que limitaram a capacidade de reação das empresas.
Entre os principais entraves relatados pelo setor produtivo estão a elevada carga tributária, a escassez de mão de obra qualificada, a inadimplência de clientes e as altas taxas de juros. Esses fatores, segundo a pesquisa, afetaram diretamente a confiança empresarial, a margem de lucro e a situação financeira das indústrias tocantinenses.
O levantamento mostra ainda que a insatisfação com o acesso ao crédito se intensificou no último trimestre do ano. Com juros elevados e maior rigor nas concessões, empresários relataram dificuldades para financiar capital de giro e novos projetos, o que contribuiu para a redução da intenção de investimentos no período analisado.
Apesar do desempenho negativo, a sondagem indica que o cenário observado no Tocantins acompanha a tendência nacional. Os resultados ficaram próximos aos registrados em outros estados, sugerindo que a retração da indústria foi generalizada no país no encerramento de 2025, em um contexto de política monetária restritiva e baixo dinamismo econômico.
A técnica em pesquisa da FIETO, Gleicilene Bezerra da Cruz, avalia que a combinação entre juros elevados e inadimplência comprometeu a capacidade de planejamento das empresas. Segundo ela, o ambiente financeiro adverso reduziu a disposição do empresariado para investir, mesmo diante da necessidade de modernização e ampliação da produção.
Para os próximos seis meses, o levantamento aponta uma expectativa moderadamente positiva em relação à demanda e ao nível de emprego, sinalizando cauteloso otimismo por parte dos industriais. No entanto, esse sentimento não se estende à compra de matéria-prima, às exportações e à intenção de novos investimentos, áreas nas quais a perspectiva segue limitada.
O resultado da sondagem reforça os desafios estruturais enfrentados pela indústria tocantinense em um ambiente econômico restritivo. Especialistas apontam que a retomada do crescimento do setor passa por políticas voltadas à qualificação profissional, ampliação do acesso ao crédito, redução de custos produtivos e estímulo à competitividade regional.
Em um estado onde a indústria desempenha papel estratégico na geração de empregos e na diversificação da economia, os dados acendem um alerta para a necessidade de medidas coordenadas entre setor público e iniciativa privada para reverter o quadro de retração e criar condições mais favoráveis ao investimento produtivo.