Portelinhando Crônicas: Não foi a esquerda quem mexeu no céu de Brasília

Portelinhando Crônicas: Não foi a esquerda quem mexeu no céu de Brasília
João PortelinhaPor João Portelinha 6 de fevereiro de 2026 5

A circulação de narrativas que atribuem fenômenos climáticos a ações políticas voltou a ganhar espaço após a ocorrência de temporais em Brasília. Entre as versões divulgadas, está a de que grupos políticos teriam provocado alterações no clima por meio de tecnologias estrangeiras. Do ponto de vista científico, não há qualquer fundamento para essa afirmação.

Tempestades, descargas elétricas e chuvas intensas são fenômenos naturais explicados pela meteorologia. Eles ocorrem a partir da combinação de calor, umidade, instabilidade atmosférica e deslocamento de massas de ar, processos registrados diariamente por radares, satélites e estações meteorológicas em todo o país.

Um dos alvos mais recorrentes dessas teorias é o HAARP (High-frequency Active Auroral Research Program), localizado no Alasca, nos Estados Unidos. O projeto é um centro de pesquisa científica voltado ao estudo da ionosfera, região elevada da atmosfera por onde transitam sinais de rádio e comunicações. A energia utilizada nos experimentos é extremamente limitada e incapaz de interferir em sistemas climáticos, especialmente a milhares de quilômetros de distância.

Especialistas explicam que a potência do HAARP é insignificante quando comparada à energia liberada por uma tempestade comum. O programa não possui capacidade técnica para provocar chuvas, direcionar raios, alterar frentes frias ou influenciar eventos meteorológicos em regiões tropicais como o Brasil.

Apesar disso, teorias conspiratórias seguem sendo disseminadas, impulsionadas pela polarização política e pela desinformação nas redes sociais. Atribuir à política o controle do clima revela mais sobre o ambiente de desconfiança e radicalização do debate público do que sobre qualquer fato concreto.

Enquanto narrativas sem respaldo científico circulam, meteorologistas seguem apresentando dados técnicos, mapas climáticos e registros que explicam os fenômenos observados de forma objetiva. As chuvas registradas em Brasília se inserem dentro de padrões atmosféricos conhecidos e monitorados pelos órgãos oficiais.

O episódio evidencia a necessidade de fortalecer o acesso à informação qualificada e o papel da ciência no debate público. Fenômenos naturais não obedecem a ideologias, partidos ou interesses eleitorais. O clima não vota, não escolhe lado e não pode ser manipulado por discursos políticos.

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