CNJ prorroga consulta pública sobre desafios do Judiciário até 27 de fevereiro e abre debate sobre Previdência, execuções fiscais e direitos do consumidor

CNJ prorroga consulta pública sobre desafios do Judiciário até 27 de fevereiro e abre debate sobre Previdência, execuções fiscais e direitos do consumidor
Fernanda CappellessoPor Fernanda Cappellesso 9 de fevereiro de 2026 7

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) prorrogou até 27 de fevereiro o prazo da consulta pública que busca reunir propostas para enfrentar gargalos históricos do Poder Judiciário brasileiro. A iniciativa abre espaço para participação de especialistas, operadores do direito, instituições e cidadãos, com foco em temas que concentram grande volume de processos e pressionam a estrutura da Justiça.

A prorrogação amplia o período de escuta pública em um momento em que o sistema judicial enfrenta desafios relacionados ao aumento da judicialização, ao congestionamento processual e à necessidade de modernização administrativa. As contribuições devem servir de base para um documento técnico que orientará debates acadêmicos e futuras políticas institucionais do CNJ.

O que está em debate

A consulta pública concentra três áreas consideradas críticas pelo conselho: Previdência, execuções fiscais e direito do consumidor. Esses temas foram definidos por editais acadêmicos elaborados pelo Conselho Consultivo do CNJ e são vistos como pontos centrais para reduzir a sobrecarga do Judiciário.

A judicialização previdenciária, por exemplo, representa uma parcela significativa das demandas federais, impulsionada por disputas sobre benefícios do INSS e revisões administrativas. Já as execuções fiscais — ações de cobrança movidas por governos — acumulam milhões de processos em tramitação, cenário que impacta diretamente a duração média das ações.

No campo do consumidor, o crescimento das demandas relacionadas a serviços financeiros, telecomunicações e comércio eletrônico tem pressionado tribunais estaduais e federais, ampliando o debate sobre soluções coletivas e mecanismos alternativos de resolução de conflitos.

Participação pública e construção coletiva

Segundo o CNJ, a consulta pública integra uma estratégia mais ampla de governança participativa no Judiciário, modelo adotado nos últimos anos para definir metas nacionais e prioridades estratégicas. O objetivo é permitir que sociedade civil, magistratura e comunidade acadêmica contribuam diretamente na formulação de políticas públicas para a Justiça.

O formato segue uma tendência observada em outras consultas recentes, nas quais cidadãos e instituições são convidados a opinar sobre desafios estruturais e metas institucionais, fortalecendo o conceito de gestão colaborativa dentro do sistema judicial brasileiro.

Por que o CNJ decidiu ouvir a sociedade agora

A prorrogação do prazo ocorre em um momento de transição estratégica do Judiciário, que prepara diretrizes para os próximos ciclos de planejamento institucional. Nos últimos anos, o conselho tem ampliado consultas públicas para discutir temas como digitalização de processos, inovação tecnológica e acesso à Justiça, alinhando o sistema brasileiro a práticas internacionais de transparência e participação social.

Especialistas apontam que o diálogo público tende a reduzir resistências internas e a legitimar reformas estruturais, especialmente em áreas que concentram alto volume de ações e impactam diretamente o cidadão.

Próximos passos após a consulta

As contribuições enviadas serão analisadas por comissões especializadas e incorporadas a um texto preliminar. Em seguida, o documento passará por uma audiência acadêmica antes da elaboração da versão final, que poderá orientar decisões administrativas e projetos futuros do CNJ.

O processo indica uma tentativa de reorganizar prioridades dentro do Judiciário, equilibrando eficiência administrativa, redução de litigiosidade e aprimoramento do atendimento ao público.

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