Cesta básica com preços até 231% diferentes muda rotina de quem compra em Araguaína

Cesta básica com preços até 231% diferentes muda rotina de quem compra em Araguaína
Consumidora compara preços enquanto faz compras em supermercado de Araguaína; levantamento do Procon Tocantins identificou variações superiores a 200% em itens da cesta básica e reforçou a importância da pesquisa antes de ir ao caixa. Foto: Sebrae
Fernanda CappellessoPor Fernanda Cappellesso 10 de fevereiro de 2026 8

A diferença de preços nos itens mais básicos do dia a dia deixou de ser apenas percepção e ganhou números concretos em Araguaína. Levantamento recente do Procon Tocantins identificou variação de até 231,10% em produtos da cesta básica, cenário que vem alterando a forma como moradores organizam as compras e impactando diretamente o consumo local. A pesquisa analisou 46 itens em oito estabelecimentos e encontrou oscilações expressivas tanto em alimentos quanto em produtos de higiene.

Entre os exemplos que mais chamaram atenção está o absorvente com abas, vendido entre R$ 2,99 e R$ 9,90, além de itens como tempero completo e farinha de trigo, com diferenças superiores a 200%. Nos hortifrutigranjeiros, banana nanica e tomate também apresentaram variação significativa, ultrapassando 112%.

O impacto no bolso e na rotina

Para quem vive a rotina do supermercado, os números refletem uma realidade já sentida no cotidiano. A auxiliar de serviços gerais Maria das Dores Santos, moradora do setor Maracanã, afirma que precisou mudar completamente a estratégia de compras nos últimos meses. “Antes eu fazia tudo em um lugar só. Agora eu anoto preço, olho promoção e às vezes volto para casa sem levar tudo. Se não pesquisar, o dinheiro não rende”, relata.

Ela conta que passou a dividir o carrinho em etapas ao longo da semana, priorizando itens essenciais. “Tem coisa que em um mercado custa o dobro do outro. A gente vai aprendendo onde compensa mais”, diz.

Economia local sente reflexo das variações

Para o economista Ricardo Menezes, pesquisador em economia regional e consumo, a dispersão de preços acima de 200% revela um mercado com forte assimetria de informação. “Quando a diferença é tão grande, significa que parte do consumidor compra sem referência clara de preço. Isso reduz o poder de escolha e pressiona as famílias que têm menor mobilidade entre os estabelecimentos”, explica.

Segundo ele, o efeito vai além do carrinho de compras. “Quando o consumidor gasta mais do que deveria em itens básicos, sobra menos para outros setores da economia local, como lazer, serviços e vestuário. A variação de preços se transforma em desaceleração indireta do comércio”, afirma.

Pesquisa vira ferramenta de sobrevivência

O Procon Tocantins destaca que o levantamento tem caráter orientativo e considera apenas o menor preço encontrado nas prateleiras, sem distinção de marcas. Para o órgão, a divulgação dos dados funciona como incentivo à concorrência e ajuda o consumidor a planejar melhor as compras.

O comerciante autônomo Carlos Henrique Oliveira, que faz compras semanais para a família, afirma que passou a acompanhar pesquisas oficiais. “Antes eu achava que era exagero comparar preços. Hoje eu vejo que faz muita diferença. Às vezes economizo R$ 50 ou R$ 60 numa compra só”, conta.

Mudança silenciosa no comportamento de consumo

Especialistas avaliam que a alta variação de preços tem provocado uma mudança silenciosa nos hábitos de consumo. O consumidor passa a trocar marcas, reduzir quantidades e buscar promoções com mais frequência. Em cidades do interior, onde o orçamento médio é mais limitado, essas decisões influenciam diretamente o padrão de vida das famílias.

Para o economista Ricardo Menezes, a tendência é que a pesquisa de preços se torne parte da rotina. “O consumidor brasileiro está mais atento. A diferença de valores obriga a população a agir de forma estratégica, quase como um planejamento financeiro doméstico”, analisa.

Orientações ao consumidor

O Procon orienta que, além de comparar preços, o consumidor verifique datas de validade — principalmente em promoções — e denuncie irregularidades pelos canais oficiais. A pesquisa completa está disponível no portal do Governo do Tocantins e pode servir como referência para quem busca reduzir gastos em um cenário de orçamento cada vez mais apertado.

Em meio a prateleiras cheias e preços que variam drasticamente, a conclusão é simples: em Araguaína, a economia começa antes mesmo de chegar ao caixa.

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