Cinthia Ribeiro deixa o PSDB após 12 anos e critica decisão nacional sobre comando no Tocantins
A ex-prefeita de Palmas, Cinthia Ribeiro, anunciou sua saída do Partido da Social Democracia Brasileira por meio de carta pública direcionada a filiadas, filiados, lideranças e à população do Tocantins. No documento, ela afirma que a decisão foi tomada por coerência e princípios, após discordar da condução adotada pela direção nacional ao alterar o comando do partido no Estado sem diálogo com as bases locais.
Na carta aberta, Cinthia relembra sua trajetória de 12 anos na sigla, período em que presidiu o PSDB no Tocantins e o PSDB Mulher Nacional, além de ter governado Palmas por mais de seis anos. Ela sustenta que a mudança promovida pela direção nacional rompeu princípios da democracia partidária e desrespeitou a construção política estadual. Também destacou o simbolismo do episódio ao afirmar que lideranças femininas ainda são tratadas, em muitos casos, como provisórias diante de rearranjos políticos.
A saída da ex-prefeita movimenta o cenário político do Tocantins e amplia as especulações sobre seu futuro partidário. Nos bastidores, surgiram comentários sobre eventual aproximação com partidos fora do campo do centrão e até mesmo com legendas de esquerda, como o Partido dos Trabalhadores.
Especialistas tocantinenses avaliam que uma eventual migração para um partido identificado com a esquerda ou historicamente antagônico ao PSDB representaria uma inflexão estratégica relevante. O cientista político Dr. Ricardo Oliveira, professor universitário em Palmas, afirma que “uma mudança para um partido de esquerda exigiria reposicionamento claro de discurso e base eleitoral, especialmente diante do histórico nacional de polarização entre PSDB e PT”.
Já a analista política Professora Mariana Alves, pesquisadora em comportamento eleitoral no Tocantins, avalia que o movimento poderia abrir novas frentes de diálogo. “Há um eleitorado urbano e feminino que pode se identificar com pautas mais sociais. No entanto, a coerência narrativa será determinante para consolidar essa transição”, pontua.
Para o consultor eleitoral Carlos Mendes, com atuação em campanhas no Norte do país, a decisão final dependerá do cálculo político. “Migrar para um partido de esquerda não é apenas uma troca de sigla. É redefinir alianças, palanques e identidade política no Estado”, destaca.
O PSDB, que no Tocantins integra federação com o Cidadania, mantém representação na Assembleia Legislativa do Estado do Tocantins e segue inserido nas articulações para as eleições de 2026.
Até o momento, Cinthia Ribeiro não anunciou nova filiação. O movimento reforça o ambiente de realinhamentos partidários no Tocantins e coloca seu próximo passo político como um dos elementos centrais no tabuleiro eleitoral estadual.