Justiça suspende pesquisa eleitoral após suspeita de irregularidades e custo de R$ 0,43 por entrevista
A Justiça Eleitoral suspendeu a divulgação de uma pesquisa registrada sob o nº TO-06595/2026 após identificar indícios de irregularidades consideradas graves na metodologia e na viabilidade operacional do levantamento. A decisão foi proferida pelo juiz relator Adriano Gomes de Melo Oliveira, do Tribunal Regional Eleitoral do Tocantins, no âmbito de uma ação apresentada pelo Partido Democrático Trabalhista (PDT).
A medida determina a suspensão imediata da divulgação em qualquer meio e proíbe novas publicações dos dados até análise definitiva do caso. Em caso de descumprimento, foi fixada multa diária de R$ 5 mil.
Custo e logística levantaram suspeitas
Um dos principais pontos considerados pela Justiça foi o custo declarado da pesquisa. O levantamento previa 22.820 entrevistas em 54 municípios, com custo total de R$ 10 mil. Isso representa cerca de R$ 0,43 por entrevista, valor considerado incompatível com despesas operacionais mínimas, como deslocamento, equipe, supervisão e processamento de dados.
Na avaliação judicial, a discrepância financeira levanta dúvidas sobre a real execução do trabalho de campo.
O prazo de coleta também foi questionado. Segundo os dados apresentados, todas as entrevistas teriam sido realizadas em apenas seis dias, abrangendo dezenas de municípios com distâncias significativas entre si, o que foi considerado logisticamente improvável dentro dos padrões técnicos usuais.
Questionário e perfil da amostra também foram contestados
A decisão também destacou falhas metodológicas no questionário. A ausência de identificação partidária dos pré-candidatos nas perguntas estimuladas foi considerada um vício material, pois pode interferir na compreensão do eleitor e alterar os resultados.
Outro ponto relevante foi a composição da amostra. Cerca de 85% dos entrevistados estavam na faixa de renda de até dois salários mínimos, o que levanta questionamentos sobre a representatividade estatística do levantamento.
Para a Justiça Eleitoral, pesquisas com distorções amostrais podem produzir resultados que não refletem adequadamente o comportamento real do eleitorado.
Ministério Público Eleitoral apoiou a suspensão
A Procuradoria Regional Eleitoral manifestou-se favorável à suspensão, entendimento acolhido pelo relator. O parecer destacou o risco de influência indevida sobre a opinião pública caso os dados fossem divulgados sem garantia de validade metodológica.
Pesquisas eleitorais têm impacto direto na dinâmica política, influenciando estratégias de campanha, percepção de viabilidade e comportamento do eleitorado.
Pesquisa permanece proibida até decisão final
A decisão tem caráter liminar, ou seja, preventivo. O processo seguirá para análise de mérito, quando a Justiça poderá confirmar a suspensão definitiva ou autorizar a divulgação mediante eventual regularização.
Até nova decisão, a empresa responsável está impedida de divulgar qualquer resultado relacionado ao levantamento.
O caso reforça o controle exercido pela Justiça Eleitoral sobre pesquisas registradas, especialmente em períodos pré-eleitorais, quando levantamentos estatísticos passam a exercer influência crescente sobre o ambiente político e o processo democrático.