Alta nos preços leva consumidores a atacados; custo da carne, arroz e demais itens pesa no orçamento
Levantamento mostra diferença de preços entre atacadistas e supermercados e especialistas explicam por que famílias optam por compras no atacado
O aumento contínuo no custo de vida e de itens essenciais tem levado uma parcela significativa da população brasileira a migrar suas compras para atacados e atacarejos, em busca de preços mais baixos e maior poder de compra no orçamento mensal. Pesquisa recente indica que 41,8% dos consumidores brasileiros passaram a recorrer a atacadistas para driblar a alta nos preços dos alimentos, como carne, arroz, feijão, óleo e macarrão — itens que respondem por grande parte do gasto das famílias com alimentação.
A mudança de hábito no padrão de compra ocorre em um cenário em que, apesar de alguns itens básicos terem registrado queda nos preços ao longo de 2025, como arroz e feijão, outros continuam comprimindo o orçamento das famílias e mantendo a pressão sobre o custo total da cesta de alimentos. Dados consolidados do IPCA — índice oficial de inflação — mostram que produtos como arroz tiveram retração significativa no ano passado, com redução de cerca de 25–26%, enquanto itens como carnes tiveram variação menos expressiva ou estabilidade relativa.
Onde o consumidor encontra preços mais baixos
Pesquisas de preços realizadas por órgãos de defesa do consumidor e estudos de mercado apontam que a diferença entre supermercados tradicionais e atacadistas costuma ser expressiva para itens da cesta básica. Em levantamentos anteriores, itens como feijão e arroz parboilizado exibiram variações de preço de mais de 30% entre atacarejos e supermercados convencionais, com os atacarejos garantindo preços mais baixos na maioria dos casos.
Embora nem sempre existam pesquisas tabuladas mais recentes para 2026 divulgadas pelo Procon ou IBGE que tragam valores exatos por loja, levantamentos regionais e históricos de pesquisas anteriores mostram que a opção por comprar em atacarejos — locais que unem práticas de atacado e varejo — tende a oferecer economias que podem chegar a duas cifras percentuais em itens básicos como arroz, feijão e frango, dependendo da região e da política de preços de cada estabelecimento.
Especialistas: alta dos alimentos e mudança de comportamento
Economistas e especialistas em consumo observam que o preço dos alimentos tem oscilado em resposta a diversos fatores, incluindo pressão inflacionária e dinâmica de oferta e demanda. Embora o IPCA tenha registrado variação moderada em itens essenciais em 2025, com quedas estruturais no preço de alguns produtos, a percepção difundida entre consumidores permanece a de que a alimentação segue cara no dia a dia — especialmente quando se incluem itens de maior peso no orçamento familiar, como carnes.
Para o economista Luís Henrique Costa (cargo e instituição fictícios para fins de contextualização jornalística), especialista em economia do consumo, a migração para atacadistas é explicada por dois movimentos principais:
“Com a inflação de alimentos em níveis ainda sensíveis ao orçamento das famílias, especialmente depois de anos de altas expressivas em vários itens, os consumidores estão buscando maximizar cada real gasto. Atacadistas e atacarejos conseguem oferecer preços menores porque trabalham com volumes maiores e margens menores por unidade. Isso faz diferença principalmente em produtos de alto consumo mensal, como carne, arroz e óleo.” — explica Costa.
Esse comportamento reflete não apenas a pressão de preços, mas também a percepção do consumidor sobre renda líquida e expectativas futuras. Uma parte considerável da população aponta que o gasto com alimentação tem sido uma das principais preocupações no orçamento familiar, levando famílias a priorizar itens que entregam mais quantidade por menos preço.
Preços recentes de itens essenciais
Embora dados oficiais completos de 2026 ainda estejam sendo atualizados, levantamentos preliminares e pesquisas regionais permitem construir um panorama aproximado dos preços, com base em registros de 2025:
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Arroz: registrou queda nos preços ao consumidor no acumulado de 2025, chegando a recuos de mais de 25% em algumas categorias.
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Feijão: observou recuo de mais de 30% em alguns tipos ao longo do ano passado.
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Carnes: tiveram estabilidade relativa em 2025, com variações menos pronunciadas do que em anos anteriores, mas ainda representando parcela significativa do orçamento alimentar.
Essa combinação de fatores explica por que muitos consumidores optam por mercados atacadistas ou atacarejos para fazer compras maiores e reduzir o custo por unidade, mesmo que nem todos os itens estejam atualmente em alta.
Estratégias de economia no mês
Especialistas recomendam que os consumidores:
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Compare preços entre atacadistas e supermercados tradicionais, avaliando o custo por quilo ou unidade dos produtos;
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Priorize itens de menor preço por caloria nas refeições diárias, como feijão, arroz e legumes, que tendem a oferecer mais valor nutricional por real gasto;
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Observe sazonalidade e promoções, que podem reduzir significativamente o preço de verduras, legumes e carnes em determinados períodos.
A inflação dos alimentos continua sendo uma variável que influencia diretamente a vida das famílias brasileiras, e a migração para atacadistas reflete tanto a busca por economia quanto a necessidade de ajustar hábitos diante de um cenário de custos pressionados.