Zona de Convergência do Atlântico Sul mantém Tocantins sob alerta vermelho para chuvas intensas e risco de alagamentos
O estado do Tocantins iniciou a semana sob alerta vermelho devido à persistência de um dos principais sistemas meteorológicos responsáveis por eventos extremos de chuva no Brasil: a Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS). O fenômeno mantém instabilidade atmosférica contínua sobre o centro-norte do país e provoca acumulados elevados, com potencial para alagamentos, transbordamento de rios e impactos em áreas urbanas e rurais.
Segundo a metrologista Elisabeth Alves Ferreira, do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), o centro-sul do Tocantins concentra as condições mais críticas neste início de semana, com registros significativos de precipitação e tendência de continuidade das chuvas nos próximos dias.
“O solo já se encontra encharcado em diversos municípios, o que aumenta o risco de novos alagamentos mesmo com volumes moderados de chuva. A persistência da Zona de Convergência do Atlântico Sul mantém o ambiente atmosférico instável e favorece pancadas intensas e contínuas”, explicou.
Acumulados podem atingir até 60 milímetros por hora
Os volumes previstos estão dentro da faixa considerada crítica pelos órgãos meteorológicos. As pancadas podem variar entre 30 milímetros e 60 milímetros em apenas uma hora — patamar capaz de provocar transtornos imediatos, especialmente em áreas urbanas com drenagem limitada.
Para efeito de comparação, o volume médio de chuva esperado para todo o mês de março em algumas regiões do Tocantins varia entre 180 e 240 milímetros. Isso significa que uma única hora de precipitação intensa pode representar até um terço do esperado para vários dias.
Esse padrão de precipitação concentrada eleva o risco de:
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Alagamentos em áreas urbanas
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Transbordamento de córregos e rios
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Deslizamentos em áreas vulneráveis
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Interrupções em vias urbanas e rodovias
A saturação do solo é um fator decisivo nesse cenário. Quando o terreno já está completamente úmido, qualquer novo volume de chuva escoa diretamente para rios e áreas baixas, aumentando o risco de inundação.
Zona de Convergência do Atlântico Sul é responsável pelo padrão persistente
A ZCAS é um corredor de umidade que se estende da Amazônia até o Sudeste do Brasil, formando uma faixa quase contínua de nuvens carregadas. Esse sistema é comum no verão e no início do outono, mas sua intensidade e duração variam a cada ano.
Em 2026, a persistência desse fenômeno tem provocado chuvas prolongadas no Centro-Oeste e no Norte do país, incluindo o Tocantins.
Diferentemente das chuvas isoladas, a ZCAS provoca precipitações contínuas por vários dias consecutivos, reduzindo os períodos de estabilidade e dificultando a recuperação do solo e dos sistemas de drenagem.
Chuvas devem persistir até quinta-feira, com redução parcial depois
De acordo com o INMET, o padrão de instabilidade mais intensa deve permanecer até quinta-feira. Após esse período, haverá maior presença de sol, mas as pancadas de chuva continuarão ocorrendo até o final da semana.
Isso significa que o risco não desaparece completamente, mas tende a diminuir gradualmente.
Esse comportamento é típico da fase final da atuação da ZCAS, quando o sistema começa a perder força, mas ainda mantém umidade suficiente para provocar precipitações.
Temperaturas permanecem elevadas, favorecendo novas tempestades
Mesmo com a chuva, as temperaturas continuam altas, o que contribui para a formação de novas áreas de instabilidade.
No Tocantins, a previsão indica:
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Temperatura mínima: entre 20°C e 24°C
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Temperatura máxima: entre 29°C e 34°C
Na capital, Palmas, as temperaturas variam entre 23°C e 34°C ao longo da semana.
Em Colinas do Tocantins, os termômetros devem registrar mínimas entre 20°C e 22°C e máximas de até 33°C.
Já em Gurupi, a mínima prevista é de 20°C, com máximas que podem atingir 33°C até o fim da semana.
O calor combinado com alta umidade é um dos principais fatores que alimentam as tempestades tropicais, prolongando o ciclo de instabilidade.
Tocantins está em um dos períodos mais críticos do regime climático anual
O período entre dezembro e março corresponde à estação chuvosa no Tocantins, responsável por até 80% de toda a precipitação anual do estado.
Esse regime é fundamental para:
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O abastecimento de reservatórios
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A recarga de aquíferos
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A produção agrícola
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A manutenção dos ecossistemas
No entanto, quando ocorre em excesso e de forma concentrada, também aumenta o risco de desastres naturais.
Autoridades recomendam atenção e monitoramento
Diante do alerta vermelho, especialistas recomendam que a população acompanhe os boletins meteorológicos e evite áreas de risco durante as pancadas mais intensas.
Entre as principais orientações estão:
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Evitar atravessar ruas alagadas
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Não permanecer em áreas próximas a rios cheios
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Observar sinais de deslizamento ou infiltração
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Monitorar comunicados da Defesa Civil
A previsão indica que o padrão de instabilidade deve diminuir gradualmente após quinta-feira, mas as condições típicas do período chuvoso continuarão presentes ao longo do mês de março.
O acompanhamento constante das atualizações meteorológicas é considerado essencial para reduzir riscos e permitir respostas rápidas diante de possíveis eventos extremos.