Zona de Convergência do Atlântico Sul mantém Tocantins sob alerta vermelho para chuvas intensas e risco de alagamentos

Zona de Convergência do Atlântico Sul mantém Tocantins sob alerta vermelho para chuvas intensas e risco de alagamentos
Chuva intensa acompanhada de descargas elétricas atinge rodovia durante temporal no Tocantins, cenário comum em períodos de instabilidade atmosférica monitorados pelo Inmet.
Fernanda CappellessoPor Fernanda Cappellesso 2 de março de 2026 7

O estado do Tocantins iniciou a semana sob alerta vermelho devido à persistência de um dos principais sistemas meteorológicos responsáveis por eventos extremos de chuva no Brasil: a Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS). O fenômeno mantém instabilidade atmosférica contínua sobre o centro-norte do país e provoca acumulados elevados, com potencial para alagamentos, transbordamento de rios e impactos em áreas urbanas e rurais.

Segundo a metrologista Elisabeth Alves Ferreira, do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), o centro-sul do Tocantins concentra as condições mais críticas neste início de semana, com registros significativos de precipitação e tendência de continuidade das chuvas nos próximos dias.

“O solo já se encontra encharcado em diversos municípios, o que aumenta o risco de novos alagamentos mesmo com volumes moderados de chuva. A persistência da Zona de Convergência do Atlântico Sul mantém o ambiente atmosférico instável e favorece pancadas intensas e contínuas”, explicou.

Acumulados podem atingir até 60 milímetros por hora

Os volumes previstos estão dentro da faixa considerada crítica pelos órgãos meteorológicos. As pancadas podem variar entre 30 milímetros e 60 milímetros em apenas uma hora — patamar capaz de provocar transtornos imediatos, especialmente em áreas urbanas com drenagem limitada.

Para efeito de comparação, o volume médio de chuva esperado para todo o mês de março em algumas regiões do Tocantins varia entre 180 e 240 milímetros. Isso significa que uma única hora de precipitação intensa pode representar até um terço do esperado para vários dias.

Esse padrão de precipitação concentrada eleva o risco de:

  • Alagamentos em áreas urbanas

  • Transbordamento de córregos e rios

  • Deslizamentos em áreas vulneráveis

  • Interrupções em vias urbanas e rodovias

A saturação do solo é um fator decisivo nesse cenário. Quando o terreno já está completamente úmido, qualquer novo volume de chuva escoa diretamente para rios e áreas baixas, aumentando o risco de inundação.

Zona de Convergência do Atlântico Sul é responsável pelo padrão persistente

A ZCAS é um corredor de umidade que se estende da Amazônia até o Sudeste do Brasil, formando uma faixa quase contínua de nuvens carregadas. Esse sistema é comum no verão e no início do outono, mas sua intensidade e duração variam a cada ano.

Em 2026, a persistência desse fenômeno tem provocado chuvas prolongadas no Centro-Oeste e no Norte do país, incluindo o Tocantins.

Diferentemente das chuvas isoladas, a ZCAS provoca precipitações contínuas por vários dias consecutivos, reduzindo os períodos de estabilidade e dificultando a recuperação do solo e dos sistemas de drenagem.

Chuvas devem persistir até quinta-feira, com redução parcial depois

De acordo com o INMET, o padrão de instabilidade mais intensa deve permanecer até quinta-feira. Após esse período, haverá maior presença de sol, mas as pancadas de chuva continuarão ocorrendo até o final da semana.

Isso significa que o risco não desaparece completamente, mas tende a diminuir gradualmente.

Esse comportamento é típico da fase final da atuação da ZCAS, quando o sistema começa a perder força, mas ainda mantém umidade suficiente para provocar precipitações.

Temperaturas permanecem elevadas, favorecendo novas tempestades

Mesmo com a chuva, as temperaturas continuam altas, o que contribui para a formação de novas áreas de instabilidade.

No Tocantins, a previsão indica:

  • Temperatura mínima: entre 20°C e 24°C

  • Temperatura máxima: entre 29°C e 34°C

Na capital, Palmas, as temperaturas variam entre 23°C e 34°C ao longo da semana.

Em Colinas do Tocantins, os termômetros devem registrar mínimas entre 20°C e 22°C e máximas de até 33°C.

Já em Gurupi, a mínima prevista é de 20°C, com máximas que podem atingir 33°C até o fim da semana.

O calor combinado com alta umidade é um dos principais fatores que alimentam as tempestades tropicais, prolongando o ciclo de instabilidade.

Tocantins está em um dos períodos mais críticos do regime climático anual

O período entre dezembro e março corresponde à estação chuvosa no Tocantins, responsável por até 80% de toda a precipitação anual do estado.

Esse regime é fundamental para:

  • O abastecimento de reservatórios

  • A recarga de aquíferos

  • A produção agrícola

  • A manutenção dos ecossistemas

No entanto, quando ocorre em excesso e de forma concentrada, também aumenta o risco de desastres naturais.

Autoridades recomendam atenção e monitoramento

Diante do alerta vermelho, especialistas recomendam que a população acompanhe os boletins meteorológicos e evite áreas de risco durante as pancadas mais intensas.

Entre as principais orientações estão:

  • Evitar atravessar ruas alagadas

  • Não permanecer em áreas próximas a rios cheios

  • Observar sinais de deslizamento ou infiltração

  • Monitorar comunicados da Defesa Civil

A previsão indica que o padrão de instabilidade deve diminuir gradualmente após quinta-feira, mas as condições típicas do período chuvoso continuarão presentes ao longo do mês de março.

O acompanhamento constante das atualizações meteorológicas é considerado essencial para reduzir riscos e permitir respostas rápidas diante de possíveis eventos extremos.

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